Maior jogador de todos os tempos, Pelé dá bicicleta em treino da seleção brasileira na década de 70Domicio Pinheiro/Estadão Conteúdo
Por ALYSSON CARDINALI
Ao longo de 105 anos e muita rivalidade, Brasil e Argentina escreveram belas páginas na história de um dos maiores clássicos do mundo. Um duelo que transcende o tempo, repleto de emoção, alegrias, tristezas, gols, títulos e... craques. De Pelé a Maradona, de Garrincha, Rivelino e Ronaldo a Di Stéfano, Kempes e Messi, o encontro terá mais um capítulo hoje, às 21h30, no Mineirão. E vale muito mais do que vaga na final da Copa América. Apesar de o futebol das duas equipes atualmente não encantar, vale um lugar na eternidade.
Afinal, defender a pátria em confronto de tamanha magnitude é um prazer para poucos. Missão dada apenas a afortunados capazes de fazer jus à tradição de duas seleções gloriosas. São sete títulos mundiais em campo, 22 Copas América, além de cinco Copas das Confederações, 17 Superclássicos, três Olimpíadas e três Pan-Americanos, entre tantas outras façanhas com a bola nos pés.
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Maior ídolo do futebol argentino, Maradona festeja gol sobre a Inglaterra na Copa de 1986Ap Photo/Estadão Conteúdo
Curiosamente, hoje será a primeira vez que Brasil e Argentina se enfrentam em uma semifinal continental — decidiram o título em três ocasiões (1937, 2004 e 2007). Os hermanos, inclusive, levam vantagem na competição, com 15 vitórias, enquanto o Brasil venceu nove jogos (houve oito empates). Detalhes que compõem a trajetória do centenário duelo, que começou oficialmente no dia 20 de setembro de 1914, em Buenos Aires, com vitória dos hermanos: 3 a 0.
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De lá para cá, segundo dados da CBF, foram mais 100 partidas, com 42 vitórias do Brasil, 37 da Argentina e 26 empates. Como rivalidade pouca é bobagem, a Associação do Futebol Argentino (AFA) registra 99 clássicos, com 38 vitórias para cada lado. Nem na Fifa há consenso sobre o duelo: seriam 105 clássicos, com 41 vitórias da Amarelinha, 38 da Alviceleste.
Fato é que Brasil e Argentina colecionam jogos memoráveis. Só em Copas do Mundo são quatro. Em 1974, na Alemanha, vitória Canarinho por 2 a 1. Em 1978, na Argentina, 0 a 0 na 'Batalha de Rosário'. Em 1982, na Espanha, show brasileiro e triunfo por 3 a 1. Em 1990, na Itália, Maradona e Caniggia fizeram jogada genial e mataram a Seleção: 1 a 0.
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Hoje, no Mineirão, será a vez de Messi, Everton & Cia aumentarem as estatísticas de gols do confronto. A CBF registra 163 do Brasil e 157 da Argentina. Pelé, com oito, é o artilheiro do clássico. Messi, com quatro, aparece em sétimo na lista de goleadores. Mas espera levar a Argentina à final e quebrar o jejum de 26 anos sem títulos. Ao Brasil resta bater o rival, ir à decisão e tentar manter a hegemonia de conquistas de Copas América em casa (1919, 1922, 1949 e 1989). A sorte está lançada.
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Scaloni não confirma nem mesmo Messi

Técnico da Argentina, Lionel Scaloni confirmou somente um jogador na partida de hoje à noite: o atacante Agüero. Ele descartou a hipótese de tirar o artilheiro do Manchester City para a entrada de Di María, como especulara a imprensa argentina. No entanto, recusou-se a revelar a escalação. "Temos uma partida importante. O que decidiremos será pensando mais no que queremos fazer do que no rival" declarou.
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Questionado se manteria o esquema com três atacantes, com Lautaro Martínez no time, brincou: "Só confirmo o Kun (Agüero). O resto não. Nem Messi". A tendência, porém, é que repita a escalação que bateu a Venezuela por 2 a 0 nas quartas, com o trio ofensivo. 
Scaloni também tentou tirar a pressão dos ombros argentinos. Disse que o Brasil joga em casa e, por isso, tem o favoritismo. "Para os dois times, é um jogo importante, mas, para o Brasil, um pouco mais por jogar diante da torcida. Não sei como será a pressão para eles, mas é diferente. É contra o Brasil, um jogo que todos querem ver, todos os torcedores, o resto do mundo".