Por fabio.klotz

Rio - Os elefantes são muito vistos na savana africana. No entanto, a partir de junho de 2014, possivelmente poderão ser apreciados no pantanal brasileiro. A Arena Pantanal irá receber quatro jogos da fase de grupos da Copa do Mundo e seus custos de construção estão orçados em R$ 518,9 milhões, em uma cidade sem tradição de clubes no cenário nacional. O mais bem colocado é o Cuiabá, que segue na Terceira Divisão nacional.

Todo o Campeonato Mato-grossense de 2013 não encheria a Arena PantanalDivulgação

Todo o Campeonato Mato-grossense de 2013 levou aos estádios do estado 44.161 torcedores em seus 80 jogos, uma média de 552 pagantes por partida. Para encher a nova arena, que tem capacidade de 43.600 lugares, seriam necessários 79 jogos do Estadual, ou seja, quase toda a competição.

O elevado custo do estádio, envolvido em denúncias de superfaturamento na compra de assentos, também é preocupante. No Mané Garrincha, em Brasília, foram gastos R$ 175 por cadeira, enquanto em Cuiabá cada assento terá valor de R$ 340. Isso aconteceu após a entrada do Ministério Público em ação, conseguindo uma economia de R$1,2 milhão aos cofres públicos.

Toda a renda dos 80 jogos do Campeonato Mato-grossense totalizou R$ 514.650 e para conseguir pagar os R$ 518,9 milhões que o moderno estádio custou seriam necessárias 1.008 edições, ou seja só terminaria de pagar com a renda dos jogos no ano de 3.021. Além disso, o governo estadual deve reduzir em 30% o tamanho após a Copa, mas os elevados custos seguirão os mesmos.

A escolha por uma construção, que já tem 87% do estádio concluído, tão grande em uma capital com poucos habitantes é outra polêmica. Entre os estados brasileiros mais o Distrito Federal, Cuiabá aparece apenas na vigésima posição, com 551.098 habitantes, em 27. A desproporção nos termos entre habitantes e estádio é tanta que para se lotar a Arena Pantanal apenas com moradores de Cuiabá seria necessário que um de cada treze cuiabanos estivesse no estádio.

Mesmo problema na Amazônia

A uma distância de 2.350 quilômetros, outro elefante branco, espécie cada vez menos raro no Brasil, pode ser encontrado. A Arena da Amazônia já foi sondada até para se tornar um presídio. Provavelmente, a prisão mais cara de todo o planeta, com custo de R$ 605 milhões e 90% da obra concluída. O estádio terá capacidade para 44.310 pessoas e para enchê-lo serão necessários 68 jogos do combalido Campeonato Amazonense, que teve a pífia média de público de 640 pessoas por jogo. O campeão foi o time Princesa de Solimões.

Arena Amazônia foi sondada para virar presídioDivulgação

A escolha por Manaus se torna inexplicável se analisarmos a paixão dos vizinhos paraenses pelo esporte. O torneio regional do estado foi o quarto maior em termos de público de todo o Brasil, na frente de capitais tradicionais no futebol e com times na Série A do Campeonato Brasileiro como Bahia, Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná. Em termos de arrecadação, o Campeonato do Pará também é mais rentável, visto que arrecadou 17 vezes mais do que o vizinho Amazonas e o público foi oito vezes maior.

Se o argumento for tradição, mais uma vez o Pará leva vantagem. Em má fase, o Remo tentou se reerguer na Série D, mas não conseguiu o acesso. Mesmo assim, sua apaixonada torcida compareceu em bom número aos jogos. O Paysandu, que já disputou a Copa Libertadores da América, luta contra o rebaixamento na Série B do Brasileirão e tem a quinta melhor média de público da competição com média de 7.284 torcedores por jogo.

No próximo ano, os clubes amazonenses já decidiram não jogar na Arena da Amazônia por chegar à conclusão de que será impossível mandar os jogos sem ter prejuízo. O custo de manutenção está estimado em R$ 500 mil por mês, que sairá dos cofres do governo estadual. O Flamengo mostrou interesse em disputar alguns jogos por lá, mas o número de partidas e os termos do contrato ainda serão definidos futuramente.

As obras de infraestrutura da cidade também não sairão do papel. O Monotrilho Norte-Sul não será mais construído assim como o BRT (sistema de ônibus rápido) Eixo Leste-Centro.

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