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Pelo povo! Em casa, Brasil faz sua estreia na Copa diante da Croácia

Exatamente às 17h, o Brasil dá o pontapé inicial em busca do hexa. E, para vencer a Croácia, Felipão conta com a ousadia dos pés de Neymar e o faro de gol de Fred, além do apoio da torcida

Por pedro.logato

São Paulo - O silêncio que tomou conta do Maracanã e do país após o gol de Ghiggia, em 1950, parecia anunciar luto eterno. Desde então, o Brasil conquistou cinco Copas, firmou-se como país do futebol, mas a ferida não fechou. O trauma é de todos, mesmo dos que já nasceram pentacampeões. Nesta quinta, porém, começa a segunda chance. Contra a Croácia, às 17h, no Itaquerão, a Seleção dá o primeiro passo rumo ao hexa, tendo o barulho da torcida como trunfo. E, para manter a sinergia entre time e arquibancada, vale até dar de joão sem braço e quebrar o protocolo da Fifa.

Brasil estreia nesta quinta-feira contra a CroáciaReuters

“Chegou a hora, vamos todos juntos, é o nosso Mundial”, convocou Luiz Felipe Scolari. A entidade máxima do futebol mandou um representante à Granja Comary com uma missão: exigir o fim da sessão à capela do Hino Nacional, cantada por jogadores e torcedores em todas as partidas da campanha vitoriosa da Copa das Confederações. Internamente, porém, ninguém quer respeitar tal ordem.

De acordo com o protocolo da Fifa, os hinos nacionais têm que ser tocados em versões reduzidas, de aproximadamente um minuto e meio. Logo após o término das duas gravações, os jogadores de ambas as seleções devem se cumprimentar e tomarem os seus lugares no gramado, enquanto os capitães tiram o direito de escolher o campo no cara e coroa.

Nesta quinta, com cerca de 60 mil pessoas no Itaquerão, porém, o ritual que deu sorte em 2013 vai se repetir. Para os jogadores, a emoção do momento injetava adrenalina no time, que começava a partida em ritmo acelerado. A fórmula intimidou até a Espanha, atual campeã do mundo, engolida pelo Brasil na decisão da Copa das Confederações — 3 a 0, dois de Fred e um de Neymar. Novamente, o 10 da Seleção aposta na tabela com o camisa 12.

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Fred e Neymar são as principais esperanças de gols para o BrasilEfe

“Esperamos muito da torcida. Que seja o décimo segundo jogador. Se a torcida estiver ao nosso lado a partida inteira, será difícil ganhar da Seleção”, disse o craque, que carrega nas costas, além do número de Pelé, o dever de conduzir o Brasil ao título mundial, embora garanta que não perca o sono com tal peso:

“Uma vez eu acabei ficando ansioso e dormi tarde. Foi na final da Libertadores. Estava com o Ganso no quarto e dormimos às cinco ou às seis da manhã. Já passou. Estou velho, mais maduro, e acho que vou dormir bem.”

O nó na garganta dos brasileiros desde 1950 pode ser finalmente desatado com a alegria e a ousadia dos pés de Neymar, o faro de gol de Fred, o comando de Felipão e o suor de cada jogador. É a oportunidade de sarar uma dor de 64 anos, de redimir Barbosa e exorcizar fantasmas. Não é por Fifa ou CBF, mas pelo povo. Desta vez, a história tem que ser diferente. Nem que seja no grito. Provavelmente não haverá terceira chance.

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