Por pedro.logato

Rio - Seleções de países latino-americanos colonizados por europeus parecem ter incorporado o espírito revanchista de Montezuma, imperador asteca na época da chegada dos invasores espanhóis: seu nome passou a designar um desarranjo intestinal que ataca estrangeiros que chegam ao México. Na Copa brasileira, a vingança se traduz em gols nos colonizadores.

As equipes da Inglaterra e da Espanha, países que dominaram meio mundo, foram eliminadas por Uruguai e Chile, respectivamente. A Costa Rica derrotou a Itália, herdeira do Império Romano e que teve colônias na África. Para sorte dos portugueses, que amanhã enfrentam os Estados Unidos, Montezuma não deve gostar dos americanos.

Eufórico%2C técnico da Costa Rica festeja vitória da Costa Rica sobre a ItáliaReuters

A até aqui boa campanha dos nossos vizinhos não deve ser vista com tanta surpresa. A nova lógica empresarial do futebol fortaleceu os clubes da Europa e aumentou a distância existente entre eles e os da América Latina. Fica difícil comparar a estrutura quase sempre precária de nossos times com a máquina capitalista que rege os de lá.

O rico mercado europeu fez crescer o número de jogadores latino-americanos que trabalham do outro lado do Atlântico. Dos integrantes da seleção da Costa Rica, 11 suam camisas de times como o <MC0>holandês PSV (caso de Bryan Ruiz, que fez o gol ontem) e o grego Olympiacos (do atacante Campbell). Situação parecida com a da Colômbia: 16 dos seus jogadores atuam em equipes como Milan, Fiorentina e Porto.

A experiência adquirida pelos atletas nos principais campeonatos europeus acaba beneficiando as seleções de seus países de origem. O resultado é que Brasil, Argentina e Uruguai deixaram de ser as únicas equipes capazes de encarar as europeias de igual para igual. As derrotas da Espanha para o Chile e da Itália para Costa Rica não foram acidentais, novas vitórias estão a caminho. Mas bem que Montezuma poderia completar o serviço e descarregar sua ira sobre os dirigentes que mantêm nossos clubes amarrados a uma — para eles, muito conveniente — estrutura ultrapassada e amadora.

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