Por pedro.logato

Rio - A receita não é simples, mas pode dar caldo. Para vencer o Bolívar, nesta quarta, às 22h, em La Paz, o Flamengo precisa jogar à Guardiola, no estilo Barcelona e Bayern de Munique. Quem dá a dica é Valdir Espinosa, que, em 1983, quando era técnico do Grêmio, usou a fórmula, driblou os 3.600 metros de altitude e derrotou os bolivianos por 2 a 1, de virada. Ele, inclusive, ensina como Léo Moura e André Santos devem se comportar para não cansarem antes da hora.

“Eles são experientes. O Léo é espetacular. Mas se ele arrancar lá de trás, vai chegar sem perna. No entanto, se o time for tocando devagar até a intermediária, naquele espaço curto ele pode usar a velocidade. Até hoje nós fomos a única equipe brasileira que ganhou do Bolívar em La Paz”, garante Espinosa.

Partida contra o Bolívar é complicadaMárcio Mercante / Agência O Dia

O ex-treinador usou a mesma estratégia do Flamengo de chegar a La Paz momentos antes da partida. Ele lembra que na época ainda não havia tanta informação sobre como combater os efeitos da altitude. Mas o raciocínio lógico lhe foi suficiente:

“Fizemos o tic-tac. Se nós atacássemos e perdêssemos a bola, não conseguiríamos a recomposição. Se só defendêssemos, uma hora tomaríamos o gol e perderíamos o jogo. Foi a preleção mais curta da história. Durou um minuto. Falei para eles: ‘Vamos sempre juntar quatro jogadores nossos e ficar tocando. Quando eles chegarem, vira o jogo e toca a bola. Não vamos atacar no primeiro tempo’. Tem que saber a hora de usar a força.”

A etapa inicial acabou com o placar em 1 a 0 para o Bolívar. Mesmo assim, Espinosa manteve a estratégia, mas dessa vez pediu para que, em bloco, o time avançasse aos poucos. Desta forma, surpreendeu os bolivianos e virou o jogo, com gols de China e Oswaldo: “ O China fez o gol da intermediária. Usou a altitude a seu favor. Acho que foi o único gol dele na vida. E viramos aos 37 do segundo tempo. Ainda tínhamos fôlego. Eles cansaram mais que a gente.”

Aquela vitória fez a diferença na Libertadores de 1983. O Rubro-Negro, que estava no mesmo grupo do Grêmio, perdeu em La Paz e acabou eliminado. Já o Tricolor gaúcho foi campeão e depois conquistou o Mundial Interclubes.

PARA O EX-TREINADOR, CAMISA COMPENSA AS DIFERENÇAS

Se jogar como Barcelona e Bayern de Munique fosse fácil, o Flamengo já faria isso há muito tempo. E hoje em dia o abismo técnico entre times brasileiros e bolivianos não é tão grande como em 1983. Mesmo assim, Valdir Espinosa acredita que seja possível fazer o tic-tac. Para ele, a tradição compensa essas diferenças.

“O Bolívar surpreendeu no Maracanã, teve mais toque de bola e aproximação que o Flamengo. Mas camisa é camisa. Estamos falando de um time que é campeão da Libertadores, mundial e tem jogadores experientes. Tem que ter aproximação e tranquilidade”, afirmou o ex-treinador.

A altitude atrapalha. Mas Espinosa ensina que não se pode ver o bicho mais feio do que ele realmente é: “Tem o aspecto psicológico. Todo mundo fala para ter cuidado com a altitude. Isso aumenta o fantasma. O cara chega, dá um passo mais acelerado, sente a falta de ar e pensa: ‘morri’. Tem que ter calma, tranquilizar o jogador, tirar o fantasma. Se fizer isso, vai ter dificuldade, mas bem menor.”

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