Rio - Após seis anos de gestão Eduardo Bandeira de Melo, será eleito neste sábado, a partir das 8h, na Gávea, o novo presidente do Flamengo. Ele terá como missão primordial reverter a saúde financeira do clube em títulos no futebol. Ricardo Lomba, Rodolfo Landim, José Carlos Peruano e Marcelo Vargas são os candidatos.
Prometendo um saneamento nas dívidas do clube, Bandeira cumpriu o prometido e reduziu em mais de 50% os débitos do Rubro-Negro, que ultrapassavam R$ 800 milhões em 2013. Dentro das quatro linhas, porém, ficou devendo. O jornalista Mauro Cezar Pereira, em entrevista ao O DIA, comentou os desafios da próxima gestão.
Cobrança em falta
É preciso acabar com o paternalismo que foi instituído no futebol do clube, com uma relação muitas vezes protetora com o elenco — isso chegou a ser dito publicamente pelo presidente. Os jogadores, inúmeras vezes, mostraram não se abalar com a derrota.
Essa mentalidade tem que ser chutada de departamento de futebol e isso vai envolver a saída de alguns jogadores. Todo elenco tem uma liderança. E, certamente, algumas lideranças são símbolos dessa postura acomodada, acostumada com a derrota, que não fica indignada. Isso é mas importante que qualquer contratação. Para mudar essa mentalidade, as pessoas que vão gerir o futebol têm que ser muito firmes, claras e rigorosas.
Mudança de postura
É preciso estabelecer uma nova ordem, uma nova forma de trabalhar e lidar com os resultados. Mas isso não é só culpa dos jogadores. Essa mentalidade foi instituída de cima para baixo. O Flamengo acumulou fracassos sempre com muita tolerância, muita paciência, achando que as coisas mudariam de uma hora para outra. O resultado foi que, em seis anos de gestão, foram apenas três títulos — dois Estaduais e uma Copa do Brasil inesperada, improvável — e quatro vices.
Elenco
O elenco tem bons valores. Não é perfeito, tem algumas carências, mas é muito acima da média para o futebol brasileiro.
Acúmulo de cargos
Por um tempo, o presidente (Bandeira) acumulou a função de vice de futebol. Apesar de bem intencionado, não tinha qualificação para gerir o futebol e acabou sendo extremamente prejudicial.
Finanças saudáveis
Na parte financeira, não tem desafio nenhum. Apesar de algumas derrapadas, no geral, está tudo ótimo. É só administrar da maneira que tem sido e tomar cuidado com algumas decisões erradas que foram tomadas na gestão Bandeira
Erros pontuais
A Ilha do Urubu custou mais de 20 milhões de reais e foi pouco utilizada. Era uma ideia interessante, mas deu quase tudo errado. Preços exorbitantes afastaram o torcedor, caíram as torres de iluminação, o Flamengo abandona sem mais nem menos... Foi dinheiro jogado fora.
Teve também o episódio Conca, que foi uma negociação até interessante. Era só não escalar o jogador sem condições físicas adequadas, mas escalaram, e isso gerou um custo pro Flamengo. Aí você gasta três milhões aqui, vinte ali... Botando na ponta do lápis, o clube gastou um dinheiro que daria para contratar um bom reforço.
Favoritos
Os principais candidatos são dois: o Ricardo Lomba, atual vice de futebol e da situação, obviamente, não é o cara que vai mudar a política que tem sido feita ao longo desses anos, e o Rodolfo Landim, que é da oposição, na verdade, é mais antigo nessa história que o próprio Bandeira. Faz parte do grupo original que se reuniu para tirar o grupo que estava há muito tempo no poder e mudar o Flamengo. Então, as coisas não devem mudar muito nas finanças. O Flamengo deve continuar acertando mais do que errando.
*Estagiário Danillo Pedrosa, sob supervisão de Bruno Ferreira