Sérgio Markman coleciona recortes de jornais da época de jogador. Ele atuou com Jorge Jesus no Cova da Piedade, em Portugal Gilvan de Souza
Por Yuri Eiras
Publicado 01/07/2019 11:00 | Atualizado 02/07/2019 12:04
Rio - Com a bola nos pés, Jorge Jesus era um meio-campista clássico, esguio, daqueles que correm de cabeça erguida. A mente, porém, já funcionava como a de um treinador. O brasileiro Sérgio Markman, de 68 anos, jogou com o português entre 1972 e 1973 no Cova da Piedade, time da segunda divisão do país. Ele garante que duas características não mudaram no atual técnico do Flamengo: o estilo aguerrido e a vasta cabeleira. A diferença é que, agora, o grisalho tomou conta.
"Ele era cabeludo, e eu também. Era a moda da época, estilo meio Roberto Carlos", relembra com humor o pernambucano, que saiu do Sport Recife no início da década de 1970 para atuar no Lusitano de Évora, time da segunda divisão de Portugal. A equipe foi rebaixada, e Sérgio foi transferido para o Cova da Piedade. Lá, conheceu o garoto Jesus, magro e grandalhão, então com 18 anos. O meio-campista era uma promessa revelada nas categorias de base do Sporting. Já parecia 'mandão', apesar de ser o caçula.
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"Ele já tinha uma queda para treinador, eu imagino. Ele era o mais jovem do time, e às vezes íamos orientá-lo sobre posicionamento. Ele respondia: 'deixa comigo que eu sei o que estou fazendo. Fica lá na frente porque você é oportunista. A bola vai chegar em você'", relembra Sérgio. "Ele era um jogador aguerrido, sangue quente. Não levava desaforo".
Jorge Jesus, de costas (camisa 7) acompanha jogada de Sérgio (caído, com a 9). Eles jogaram juntos no Cova da Piedade Gilvan de Souza / Agencia O Dia
No dia a dia dos treinamentos, é comum ouvir gritos de Jorge Jesus: 'fura a bola', 'faça a bola chorar', 'bata na testa da bola'. As frases de efeito são tentativas de aperfeiçoar as finalizações dos atletas do Flamengo. O chute, aliás, era um ponto forte do Jesus jogador.
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Um lusitano quase brasileiro
Jorge Jesus sempre acompanhou pela televisão os jogos do Campeonato Brasileiro. A paixão pelo futebol 'canarinho' vem de longe. O 'Mister', como o português é chamado pelos corredores do Ninho do Urubu, contou ter jogado em um time onde só ele e o goleiro eram portugueses - todo o resto dos titulares eram brasileiros. "Ele gostava de jogador brasileiro. Conversava muito comigo, viajávamos lado a lado. Ele admirava o estilo de futebol".
Jesus e Sérgio, titulares do Cova, já golearam a versão portuguesa do Vasco da Gama. Foto de Gilvan de Souza / Agência O DiaGilvan de Souza / Agencia O Dia

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Com experiência de quem conhece o futebol do Brasil e da Europa - passou por Portugal, Espanha e França -, Sérgio Markman acredita que Jorge Jesus veio para levantar taças e revolucionar. "Ele é o melhor treinador no melhor time do Brasil. Vai conquistar muita coisa, e, mais que isso, vai sacudir o mercado de treinadores. Ele pensa diferente, tem métodos diferentes, e acredito que dará muito certo. Vai ser uma revolução".