O presidente Mário Bittencourt - LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE
O presidente Mário BittencourtLUCAS MERÇON/ FLUMINENSE
Por Lance
Na última sexta-feira, o Fluminense divulgou que encomendou um estudo de viabilidade das obras de reforma em Laranjeiras. A empresa "Encopetro Engenharia Estrutural" vai apresentar um laudo da parte estrutural da sede nos próximos três meses. A ideia é que o local volte a receber jogos do time profissional no futuro. O tópico, porém, ainda é motivo de debates. Neste domingo, o presidente Mário Bittencourt utilizou as redes sociais para explicar os planos da diretoria. O dirigente explicou a capacidade reduzida de até sete mil pessoas e falou sobre o planejamento.
"Em primeiro lugar, vale destacar, que neste momento o clube está avaliando a estrutura para saber se realmente está condenada ou não. Isto porque, quando assumimos em 2019, nos foi dito que as arquibancadas superiores estariam prestes a desabar. Ocorre que, ao questionarmos onde estaria o referido laudo de "condenação da estrutura", fomos informados que tal documento não existe, mas é tão somente uma opinião, um "achismo" de que o estádio não poderia mais receber público em suas arquibancadas. O que existe na verdade é uma interdição para realização de jogos com mais de 3 mil pessoas por questões de acessibilidade e área de escape, mas que se devidamente avaliadas, podem (não necessariamente serão e justamente por isso estamos fazendo um estudo) ser viabilizadas com obras e modificações na atual estrutura, desde que tenhamos a certeza, através de laudo técnico, que o estádio oferecerá segurança a quem o frequentar no futuro", escreveu.

O dirigente explicou que o resultado do laudo sairá em abril e, aí sim, o clube definirá o caminho a ser tomado. Além disso, antes de iniciar o primeiro estudo, o Fluminense buscou detalhes sobre estádios de menor porte que abrigam jogos oficiais da CBF, além de fazer uma consultoria com órgãos competentes para saber sobre "a possibilidade de ampliação do estádio, construção de arquibancada atrás do gol da Pinheiro Machado e algumas outras mudanças significativas que pudessem ocorrer".

"A orientação de quem cuida de patrimônio histórico na cidade foi de avaliar a atual estrutura e tentar restaurar e colocar em funcionamento preservando o que existe hoje, evitando assim, um longo e burocrático processo para tentar "derrubar" todos os entraves legais existentes, frise-se, segundo eles, com poucas chances de êxito. Levaria anos e sem a certeza de que teríamos sucesso", explicou.

"A ideia inicial, portanto, é tentar fazer com que o estádio possa voltar a abrigar os jogos da base, do futebol feminino, alguns jogos oficiais de menor porte do futebol profissional, bem como jogos festivos, shows e outros eventos. E, claro, o público em total segurança" completou.

Mário ainda explica que um estádio maior não é viável por alguns motivos. Primeiro, o contrato com o Maracanã, que obriga o clube a jogar no mínimo 30 partidas por ano como mandante. Por isso, o Tricolor poderia usar Laranjeiras para cerca de cinco jogos oficiais. Além disso, há o crescimento do sócio-torcedor, tornando um estádio maior uma necessidade, na avaliação interna. Por fim, houve a constatação que "para construir um novo estádio, seja ele de que tamanho for, se faz necessária a venda de boa parte em lugares cativos/perpétuos, ou seja, um estádio de menor porte, para poucos jogos, com custo alto, não se sustentaria".

"Não faremos loucuras e muito menos terceirizaremos decisões de tamanha importância. Esse é um assunto da atenção direta da presidência do Fluminense" afirmou.
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VEJA O PRONUNCIAMENTO NA ÍNTEGRA:

"Nos últimos dois dias, após o Fluminense anunciar a contratação de uma empresa para avaliação da estrutura de Laranjeiras, observamos que a discussão sobre o tema tomou contornos fora do contexto no qual estamos visualizando a restauração do patrimônio do clube.

Com a responsabilidade de quem dirige um clube em dificuldades e vislumbra seu sucesso no futuro mais breve possível, temos que avaliar os diversos aspectos envolvidos. É o que fizemos ao longo do difícil ano de 2020, mas sem alarde. Em primeiro lugar, vale destacar, que neste momento o clube está avaliando a estrutura para saber se realmente está condenada ou não. Isto porque, quando assumimos em 2019, nos foi dito que as arquibancadas superiores estariam prestes a desabar. Ocorre que, ao questionarmos onde estaria o referido laudo de "condenação da estrutura", fomos informados que tal documento não existe, mas é tão somente uma opinião, um "achismo" de que o estádio não poderia mais receber público em suas arquibancadas. O que existe na verdade é uma interdição para realização de jogos com mais de 3 mil pessoas por questões de acessibilidade e área de escape, mas que se devidamente avaliadas, podem (não necessariamente serão e justamente por isso estamos fazendo um estudo) ser viabilizadas com obras e modificações na atual estrutura, desde que tenhamos a certeza, através de laudo técnico, que o estádio oferecerá segurança a quem o frequentar no futuro.

A premissa básica para contratação da empresa que confeccionará o laudo foi a de que ela não será a executora das obras. Ou seja, quem está estudando as patologias da estrutura e avaliando sua integridade não realizará obras posteriormente, justamente para que tenhamos a maior isenção possível na avaliação. Em síntese, o resultado do laudo pode atestar que temos condições de revitalizar o estádio com a atual estrutura ou não, e isso somente saberemos em abril, para em seguida definir o caminho a ser tomado.

Vale ressaltar que, antes do clube iniciar este primeiro estudo, fomos conhecer os detalhes de estádios de menor porte que abrigam jogos oficiais da CBF, estudamos o plano de negócios de estádios em geral e fizemos consulta aos órgãos competentes, em especial à Secretaria Estadual de Cultura e ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultura (Inepac), ligado a esta mesma secretaria, sobre a possibilidade de ampliação do estádio, construção de arquibancada atrás do gol da Pinheiro Machado e algumas outras mudanças significativas que pudessem ocorrer. Recebemos em Laranjeiras a secretária de Cultura, Danielle Barros e sua equipe. Recebemos o fundador e atual presidente do Inepac, Claudio Prado de Mello. Fizemos reuniões de trabalho. E o levantamento de toda a documentação disponível. Obtivemos no próprio Inepac a cópia do processo de tombamento bem como alguns outros documentos que o Fluminense sequer tinha em seus arquivos.

Fomos informados de forma categórica pelo Inepac que o clube e seu estádio estão incluídos na "área especialmente tombada" ou seja, com as mais severas restrições para alteração da estrutura com impedimentos rigorosos. Este decreto da década de 80 prevê, inclusive, que a vista para o Cristo Redentor (da Rua Pinheiro Machado e dos imóveis que ali estão) deve ser preservada o que inviabiliza, por exemplo, a construção de uma arquibancada ou prédio naquela área. Além disso, segundo o referido órgão, teríamos a possibilidade de diversas ações por parte de alguns moradores que possuem direito a preservação da área e da vista. Em síntese, a orientação de quem cuida de patrimônio histórico na cidade foi de avaliar a atual estrutura e tentar restaurar e colocar em funcionamento preservando o que existe hoje, evitando assim, um longo e burocrático processo para tentar "derrubar" todos os entraves legais existentes, frise-se, segundo eles, com poucas chances de êxito. Levaria anos e sem a certeza de que teríamos sucesso.

Diante disso, o clube optou inicialmente pela visão mais realista, pragmática e austera que é justamente fazer uma avaliação do que temos, para depois seguirmos adiante com os pés no chão e dentro das possibilidades do Fluminense.

A ideia inicial, portanto, é tentar fazer com que o estádio possa voltar a abrigar os jogos da base, do futebol feminino, alguns jogos oficiais de menor porte do futebol profissional, bem como jogos festivos, shows e outros eventos. E, claro, o público em total segurança.

Esclareço que para chegar às premissas ideais e depois às conclusões do caminho mais realista, o clube montou uma equipe interna que ao longo de 2020 estudou capacidade de estádios, regulamentos e viabilidade financeira, nos trazendo dados técnicos e numéricos de que um estádio maior do que o atual não se sustentaria em razão de outras questões que o clube precisa cumprir.

A primeira delas é justamente o contrato que possuímos com o Maracanã, onde por questões obrigatórias (e isso não se modificará caso tenhamos a concessão por longos anos) os clubes que administram o estádio são obrigados a jogar no mínimo 30 partidas por ano como mandante (cada clube). Para que se tenha uma ideia, os jogos com nosso mando no Maracanã em 2019, primeiro ano desta regra contratual, foram 32. Em 2020, ano da pandemia, foram apenas 25, abaixo do número obrigatório para que o Fluminense cumpra sua cota e viabilize economicamente o estádio. Sendo assim, para a preservação de nossas obrigações junto ao Maracanã, somente poderíamos usar Laranjeiras para cerca de 5 jogos oficiais, mais ou menos. O pensamento do clube, caso seja viável voltar a jogar em Álvaro Chaves, seria de mandar algumas partidas do estadual e das duas primeiras fases da Copa do Brasil onde a exigência de capacidade mínima é de 5 mil lugares.

Outro ponto destacado por nossos profissionais internos que compõem a equipe de revitalização do estádio (administrativo, arenas, jurídico, financeiro e marketing), é que o desenvolvimento e crescimento do nosso plano de sócio futebol (como de qualquer outro clube) está diretamente vinculado a um estádio com capacidade maior que 40 mil pessoas, e, justamente por isso, o Maracanã se torna fundamental para que possamos abrigar um plano de mais de 60 mil inscritos, que é nosso objetivo. Como nossa média de público nos últimos anos vem sendo de cerca de 23 mil pessoas por jogo e temos a necessidade de aumentar, não faria sentido investir num estádio para 10 a 15 mil lugares, posto que não comportaria nossa média de frequência atual e não suportaria o aumento na quantidade de sócios que o Fluminense deseja atingir.

Basta olhar para todos os outros clubes do país que construíram arenas recentes e ver que todos buscaram estádios com capacidade maior que 40 mil pessoas, justamente para alavancar e sustentar seus programas de fidelidade com torcedores. Pensamos um Fluminense gigante como ele é, e desta forma, nos parece sensato lutar para termos o Maracanã por longos anos.

Além disso, após consultar também estes dados, constatamos que para construir um novo estádio, seja ele de que tamanho for, se faz necessária a venda de boa parte em lugares cativos/perpétuos, ou seja, um estádio de menor porte, para poucos jogos, com custo alto, não se sustentaria, justamente porque teria poucos ingressos para comercialização no jogo a jogo. Não apenas pela limitação imposta por estes lugares perpétuos, mas pela série de entraves legais.

E quais são esses entraves legais? Da carga total de ingressos de qualquer estádio, 10% devem ser destinados ao visitante; 10% destinados à gratuidade; boa parte vendida como meia entrada e assim por diante, ou seja, se além de todas essas exigências legais ainda tivermos as cadeiras perpétuas, num estádio de 10 a 15 mil pessoas, teríamos no máximo de 4 a 5 mil ingressos para comercializar por partida.

A conclusão a que se chegou então foi a seguinte: seria um risco financeiro muito grande para o clube ou até mesmo para um investidor externo levantar um novo estádio para realizar em média 5 jogos por ano e com capacidade de comercialização de 4 a 5 mil ingressos por jogo ou por eventos culturais. Todos os especialistas que consultamos e que possuem dados concretos sobre o tema nos afirmaram que a chance de prejuízo seria enorme.

Na situação em que encontramos nosso clube, com cerca de 700 milhões de reais de dívidas, temos que ser muito criteriosos ao avaliar a possiblidade de arriscar a talvez colocar o Fluminense em novo colapso financeiro por algo que a princípio sequer sabemos se sairia do papel pelos entraves legais e burocráticos que apontamos acima no texto.

Importante lembrar que o clube já possui hoje quatro equipamentos para administrar e todos dispendiosos. São eles o Maracanã, o complexo de Laranjeiras, Xerém e o CT Carlos Castilho. Não se pode esquecer também que o nosso CT, embora tenha sido inaugurado com pompa, tem apenas 30% da estrutura construída, restando ainda obter habite-se integral, construir rua de acesso, dormitórios, refeitório, muros, vestiários de visitantes e uma série de outros reparos que devem ser realizados para que possamos ter uma estrutura ideal. Estamos longe disso.

Portanto, como já demonstrado aqui, o clube segue trabalhando dentro de realidade austera de recuperação do elegendo prioridades dentro do fluxo de caixa que possui. Não faremos loucuras e muito menos terceirizaremos decisões de tamanha importância. Esse é um assunto da atenção direta da presidência do Fluminense.

Nos últimos 25 anos o nosso estádio não teve a devida manutenção e avaliação da estrutura. Depois de um quarto de século estamos dando a maior atenção e carinho a ele tentando de início identificar que "remédio" temos que dar para que permaneça vivo, e, depois, com todo zelo e responsabilidade, ver o que conseguimos fazer para voltar a jogar alguns jogos em nossa casa.

Qualquer coisa diferente disso seria fugir dos critérios que adotamos para reconstruir a instituição como um todo, algo que o clube se comprometeu a fazer e que com acertos e erros de estamos realizando.

Saudações Tricolores e bom final de semana
".