Igor Porfirio vai fazer superluta contra o atleta Vitor Fratti no card do Turris Invitational, em novembro(Foto: Reprodução)
Cria de projeto social na Bahia relembra trajetória no Jiu-Jitsu e se prepara para superluta no Rio
Atleta de Salvador, que treinava com calça de Taekwondo amarrada no umbigo, usou o esporte para transformar seu destino e fará superluta no dia 14 de novembro
Uma história de resiliência que começou na Bahia ganhará um novo e emocionante capítulo nos tatames cariocas. O jovem Igor Porfirio, cria do subúrbio ferroviário de Paripe, em Salvador, está confirmado no card do evento Turris Invitational, que acontecerá no dia 14 de novembro, no Rio de Janeiro. Para chegar à tão sonhada superluta contra o atleta Vitor Fratti em um dos grandes eventos do país, o lutador precisou superar muito mais do que os adversários.
A jornada de Igor Porfirio no esporte começou em 2018, dentro de um projeto social no coração de sua comunidade. Sem condições financeiras para comprar o equipamento adequado, o primeiro traje de luta foi improvisado: “Comecei com um kimono de Taekwondo emprestado do tamanho adulto, onde eu tinha que suspender a calça até o meu umbigo para ficar na minha altura exata. Era um kimono branco para três treinos no dia, todos os dias”, relembra o atleta.
A estreia nas competições também passou longe dos contos de fadas. Após um ano de treinos intensos com a armadura emprestada, ele foi lutar seu primeiro campeonato justamente no dia do seu aniversário. O resultado? Foi derrotado e finalizado em meros 20 segundos. Longe de se abater, a frustração serviu como combustível para que ele persistisse.
Com o tempo, os tropeços se transformaram em medalhas. O jovem subiu degrau por degrau nas graduações infantis - da faixa-amarela à verde - até chegar à faixa-azul, onde despontou nacionalmente como medalhista do Campeonato Brasileiro da CBJJ. Mais do que pódios, o Jiu-Jitsu operou um milagre em sua realidade, abrindo portas que pareciam inalcançáveis para um garoto do subúrbio baiano, incluindo viagens para disputar o Mundial nos Estados Unidos e competir em Nova York.
“O Jiu-Jitsu é muito mais do que um esporte ou uma atividade física. O Jiu-Jitsu é um transformador de vidas, que dá esperança para crianças e jovens de comunidades”, reflete Igor. No dia 14 de novembro, ao subir na área de luta do Turris Invitational, o faixa-azul baiano não representará apenas a si mesmo ou à sua equipe, mas carregará a prova viva de que a oportunidade, aliada ao esporte, pode mudar qualquer destino.

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