Por fabio.klotz
Tandara e Maria Clara%3A jogadora terá de driblar a saudade da filha no Grand Prixarquivo pessoal

Rio - As portas da seleção brasileira de vôlei nunca estiveram fechadas para Tandara, mas a campeã olímpica chegou a pensar algumas vezes que poderia não dar tempo de voltar à equipe nacional para brigar por uma vaga nos Jogos do Rio, em agosto. Ela conseguiu um lugar entre as 19 convocadas pelo técnico José Roberto Guimarães para a temporada 2016 e agora vai lutar para se manter no grupo. Só 12 atletas terão a chance de jogar pelo tricampeonato em casa.

“Eu me sinto realizada. Em alguns momentos, pensei que não daria tempo. Mas que bom que deu. Trabalhei e acredito que tenha feito uma Superliga boa. Eu me recuperei o mais rápido que pude. Melhorei de acordo com o tempo determinado para mim. Essa foi a recompensa: ter voltado a integrar a Seleção e ter a oportunidade de buscar o meu espaço para jogar a Olimpíada no nosso país. Estou muito feliz com isso e venho treinando bastante para fazer parte desse grupo”, afirma Tandara.

Ela lembra as palavras de Zé Roberto quando contou que estava grávida: “Ele não fechou as portas, mas falou: ‘Só depende de você.’ Acredito que fiz meu trabalho certo e corri dentro do tempo que eu tive.”

Sua filha, Maria Clara, nasceu em setembro, de parto humanizado, em casa, em Uberlândia (MG). “O parto humanizado me ajudou bastante porque eu comecei a fazer musculação com uma caminhada depois de 30 dias. Se tivesse feito uma cesárea, eu não voltaria com esse período, mas com 60 dias”, diz Tandara, que ainda não está totalmente satisfeita com sua parte física: “Não está como eu queria. Quero melhorar. Mas eu me apresentei neste ano da mesma forma que saí daqui em 2014.”

A estreia no Grand Prix está marcada para 9 de junho,contra a Itália, no Rio. Ainda no Brasil, a Seleção enfrentará a Sérvia e o Japão. A segunda semana da competição será disputada na China e a terceira, na Turquia. A fase final será realizada em Bangcoc, na Tailândia, entre 6 e 10 de julho. Assim, Tandara terá que conviver com a saudade da filha.

“Será o período mais distante dela. É muita coisa. É muito sofrido, mas estou sujeita a isso. Então, tenho que me adaptar e ver a melhor forma de lidar com a situação”, afirma a jogadora.

Medalha de ouro em Londres, Tandara vai tentar repetir o feito no Rio: “A expectativa é muito boa. A gente sabe que vai ser muito difícil, pelo fator casa, pela pressão, pelo time ser bicampeão olímpico. Mas acho que a gente está sabendo lidar da melhor maneira possível”, ressalta.

Tandara disputou a última edição da Superliga pela Camponesa-MinasOrlando Bento / Camponesa Minas / Divulgação

Ela acredita que a levantadora Fabíola, que dará à luz em maio, consiga voltar às quadras a tempo de disputar os Jogos do Rio. “A Fabíola está com uma vontade muito grande de disputar a Olimpíada no Brasil e acredito que ela vá surpreender a todos, tendo o parto normal, e voltando a ser a Fabíola de antes”, aposta Tandara.

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