De cabeça feita, Alison e Bruno vão em busca do ouro

Dupla brasileira disputa o lugar mais alto do pódio com os italianos e psicóloga lembra o difícil caminho até a final olímpica

Por edsel.britto

Rio - O caminho até a final olímpica no vôlei de praia, que será disputada nesta quinta-feira, às 23h59, contra os italianos Nicolai e Lupo, em Copacabana, não foi fácil para Alison e Bruno Schmidt. Antes de a dupla se classificar para os Jogos do Rio, o Mamute ficou cinco meses afastado das quadras, por conta de cirurgias no joelho direito e para a retirada do apêndice. Mas as dificuldades fortaleceram a parceria, sempre acompanhada pela psicóloga Sâmia Hallage.

Ela lembra que o período da recuperação de Alison foi um momento delicado para os dois jogadores. “O Bruno jogou com outros parceiros, mas vivia a expectativa pela volta do Alison, que estava parado e foi com quem ele escolheu jogar a Olimpíada. Eu dei auxilio com ferramentas para eles lidarem com as adversidades, mas cada um na comissão técnica tem o seu valor. É uma equipe”, destaca Sâmia.

Com auxílio de psicóloga, Alison e Bruno Schmidt estão prontos para lidar com a pressãoSaulo Cruz/Exemplus/COB

A psicóloga trabalha com Alison desde que ele formava dupla com o campeão olímpico Emanuel. Juntos, eles conquistaram a prata em Londres-2012. Depois, o Mamute passou a jogar com Bruno e Sâmia acompanhou a dupla. Morando em São Paulo, ela viajava semanalmente para o Espírito Santo para observar os jogadores durante os treinos. “Eu vi como eles se comportavam, participava do dia a dia, que pode ser diferente do que o atleta te conta. Às vezes, há um comportamento que ele não está percebendo”, explica.

Com a experiência de uma Olimpíada na carreira, Alison se uniu a Bruno, um estreante nos Jogos. “O curioso é que em Londres era o contrário. Emanuel era o mais experiente e Alison, o novato. O Emanuel ensinou muita coisa para o Alison, de como se comportar numa Olimpíada. E a decisão dele e do Bruno de ficarem na Vila aqui no Rio foi muito defendida pelo Alison, que achava importante participar desse espírito olímpico. Acho que foi acertada”, diz Sâmia.

Ela acredita que eles se completam em quadra: Alison é mais vibrante enquanto Bruno, mais contido. E diz que os dois crescem na adversidade. O auge da dupla — que começou disputando qualifying do Circuito Mundial em 2014 — veio em julho de 2015, quando eles conquistaram o Campeonato Mundial na Holanda, jogando uma batalha contra os anfitriões Nummerdor e Varenhorst. Alison e Bruno chegaram a salvar cinco match points para saírem consagrados de Haia.

Na Rio-2016, a trajetória também teve percalços. Eles sofreram uma derrota na segunda rodada da fase de grupos e Alison jogou a partida seguinte mancando após se machucar. A semifinal também foi um duelo cheio de reviravoltas contra os holandeses Brouwer e Meeuwsen, decidido no tie-break, mostrando a força mental da dupla. Nesta quinta-feira, Sâmia estará na Arena de Copacabana exercendo seu papel de torcedora. “Ali, a gente não pode fazer nada, tem que esperar, ficar assistindo. Mas eles estão muito fortes”, diz a psicóloga.

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