Em êxtase com o ouro, Robson Conceição relembra dificuldades e agradece torcida

Após dois fracassos olímpicos, em Pequim-2008 e Londres-2012, brasileiro subiu ao lugar mais alto do pódio nesta terça-feira

Por renata.amaral

Rio - Robson Conceição chegou ao Rio com a desconfiança de quem fracassou nas duas Olimpíadas anteriores. Em Pequim, 2008, e Londres, 2012, o lutador foi eliminado logo na estreia. A missão, em casa, era criar uma história diferente. E conseguiu. Conquistou o ouro e emocionou o Brasil inteiro. O campeão agradeceu o apoio da torcida e relembrou os momentos difíceis na carreira até chegar ao lugar mais alto do pódio.

Medalha de ouro%2C Robson Conceição fez história na Olimpíada do RioDivulgação

"Quero agradecer meus apoiadores. A torcida foi o diferencial para lutar em casa, com determinação, representando cada um. Foi muito gratificante e emocionante. Tive duas infelizes participações em Jogos. Era novo. Só tinha feito duas viagens internacionais. Com o apoio da Confederação peguei experiencia. Tinha o sonho de participar de Olimpíada. Em 2016 foi diferente. Vim com a meta de conquistar uma medalha", disse Robson, que completou:

"Geralmente não assisto, mas vi alguns links. Foi a luta mais difícil da minha vida. Ele surpreendeu e venceu atletas 'top' da categoria. Mas estava preparado e bem treinado. As regras mudaram. Gostei pelo fato de que antes se tocasse valia ponto e adversário fugia. Agora você tem de mostrar técnica, garra e vontade de lutar para vencer. Isso me favoreceu."

A realidade atual de Robson se parece com a de muitos atletas que disputam a Olimpíada pelo Brasil. Terceiro sargento da Marinha, ele recebe o apoio e a estrutura para treinar das Forças Armadas. Ainda em êxtase com a conquista, os planos agora são longe dos ringues: quer descansar.

"Não é bom, mas temos apoio. O fato da Marinha ter surgido na minha vida foi importante. Quase desisti. Minha chama acendeu novamente. Tenho bons materiais, é preciso treinar em alto nível. Tive infância humilde, mas nunca faltou. Fiz correria. Vendi picolés, trabalhei em feira. Tirei de bom essa vontade de trabalhar, que transferi para o boxe. Fiz sacrifícios e hoje sou recompensado. Cheguei à exaustão. Quero descansar. Depois penso, junto com técnico e confederação, o que fazer", concluiu.

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