Montanha de garra e superação

Wagner Domingos, que venceu um câncer de bexiga, obtém vaga na final do lançamento de martelo

Por edsel.britto

Rio - O apelido de Montanha representa hoje muito mais do que o tamanho de Wagner Domingos. O atleta, que conquistou, na última quarta-feira, no Estádio Olímpico Nilton Santos, uma vaga na final do lançamento de martelo — classificou-se em nono, com a marca de 74,17m —, suportou, de pé, as pancadas da vida. E, depois de ter superado, há cinco anos, um câncer de bexiga, prepara-se para, na sexta-feira, lutar por uma medalha olímpica pelo Brasil.

Wagner Domingos se classificou para a final do arremesso de marteloEfe

“O tratamento desse câncer foi a cirurgia. Graças a Deus, tive, vamos dizer assim, muita sorte de estar muito pequeno. E o doutor Alexandre, que me acompanha até hoje, fez um trabalho excelente. Deus colocou a mão e deu tudo certo. Hoje, faço acompanhamento de seis em seis meses e, graças a Deus, está tranquilo”, disse Montanha, que tem 1,87m de altura, 110kg e 48,5cm de bíceps. Ele se apresentou para a torcida, que deve adotá-lo, sexta-feira, na final: “Sou o Montanha, Wagner Domingos, nasci lá em Recife, e comecei o atletismo em 1998. Hoje, sou o melhor brasileiro e sul-americano da prova, estabelecendo a quarta melhor marca do mundo, 78.63m, e tentando representar o Brasil, o atletismo e o esporte amador”, disse o atleta.

Montanha está há 12 anos no atletismo, mas não tem o mesmo reconhecimento dos jogadores de futebol, que gozam do status de celebridade no Brasil. Agora, na final, porém, deve ser adotado pela torcida, como aconteceu com Thiago Braz da Silva, ouro no salto com vara. De acordo com o atleta, os Jogos podem mudar a cultura esportiva no país, historicamente centrada no futebol.

“Tenho bastante orgulho do nosso futebol, mas, com esta Olimpíada, a próxima geração tem a oportunidade de ver o espetáculo que são o atletismo, a natação, o judô de alto rendimento. Espero que a gente aprenda com esse evento.”

Montanha acredita que, se repetir a sua melhor marca, de 78.63m, pode conquistar uma medalha. Com os pés no chão, porém, ele planeja ficar entre os oito primeiros. A final será realizada sexta-feira, às 21h05. Independentemente do resultado, porém, Wagner já é um vencedor.

"A apalavra câncer, mesmo com a medicina avançada, ainda gera muito medo. É uma palavra muito forte ainda. Quando soube, fiquei abalado nos primeiros dias, mas falei: 'a unica que posso (fazer) é lutar. Vamos lutar, melhorar ao máximo, ficar curado e bola para frente'", concluiu.

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