O próximo round para Robson Conceição

Campeão olímpico quer criar projeto social para descobrir novos talentos em Salvador e tirar crianças da violência

Por edsel.britto

Rio - A história poderia ser de Rafaela Silva, judoca medalha de ouro nos Jogos do Rio. No entanto, Robson Conceição foi mais um herói olímpico salvo pelo esporte. Negro, morador de um bairro carente de Salvador, o adolescente brigão encontrou sua paz no boxe. A exemplo de Rafaela Silva, o pugilista diz que o projeto social do qual participou mudou e salvou sua vida.

“Se não fosse o boxe, acho que talvez não estivesse vivo pelo fato da violência em Salvador. São muitas mortes. Eu brigava muito na rua. Hoje em dia ninguém mais quer brigar na rua, quer ficar tomando soco na cara. Se não fosse o boxe, talvez fosse uma história diferente. Se fala que o boxe é violento, mas não é. Eu era violento antes de conhecer o boxe”, disse Robson.

Robson Conceição quer usar sua medalha como legado para novas gerações do boxeGuito Moreto / O Globo / NOPP

Com promessa de festa em sua chegada a Salvador, o campeão olímpico não se esquecerá de seu povo: a criação de um projeto social em Boa Vista de São Caetano, seu bairro em Salvador. Contra a redução da maioridade penal e a favor da inclusão social, o pugilista, 27 anos, quer encontrar novos talentos na ‘Cuba brasileira’.

“Será no meu bairro, o ‘Team Conceição’. É o projeto social que eu quero e espero contar com o apoio das empresas e do governo para mudar a vida de muitas crianças. Temos muitos talentos na Bahia”, destacou o pugilista.

Pronto para o próximo round, Robson vislumbra a transição para o boxe profissional, porém, ainda trata o tema com cautela. Apesar do apoio de patrocinadores, das Forças Armadas e do governo federal, o valor da bolsa em âmbito profissional é um atrativo para muitos talentos do boxe. Com três Olimpíadas e dois Pan-Americanos no currículo, o peso-leve, de 27 anos, é considerado pronto para a transferência. “Vou conversar com meus técnicos, com a confederação para decidir. Minha vontade é de ir para o profissional.”

RENOVAÇÃO À VISTA

Com a queda nas quartas de final, Andreia Bandeira deixou escapar a chance de se tornar a segunda brasileira na história a garantir uma medalha olímpica no boxe. Se vencesse a chinesa Li Qian, a peso-médio (até 75kg) teria no mínimo o bronze.

Apesar do maciço apoio da torcida, faltou eficiência nos golpes da pugilista, derrotada por decisão unânime dos jurados (3 a 0). Com a sensação de dever cumprido, a paulista, de 29 anos, não garante participação no ciclo para Tóquio-2020.

“Não belisquei a medalha, mas estou contente com o que fiz na Olimpíada. Superei lesões, altos e baixos na carreira. Estar aqui é uma medalha de ouro. Éder Jofre (maior boxeador do Brasil) assistiu à minha estreia, enviou mensagem elogiando. Fiquei feliz”, contou Andréia.

A soma de quatro medalhas nos Jogos de Londres (uma prata e dois bronzes) e do Rio (um ouro) consolida a evolução do boxe brasileiro, que começará a trabalhar novos nomes para o ciclo olímpico de Tóquio-2020. Além do campeão Robson Conceição, a peso-galo Adriana Araújo será outro desfalque na Seleção. Ela também tem convites para lutar boxe profissional, MMA e já adiantou que não participará do processo. Julião Neto, que seguirá a carreira de técnico, é outra baixa certa. 

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