Vasco tentará ficar na Série A no tapetão

Diretoria vai entrar com recurso para virar a mesa após o rebaixamento para a Série B

Por rafael.arantes

Rio - Se o diretor jurídico do Vasco, Gustavo Pinheiro, manteve a cautela ao longo do dia, o vice-presidente de futebol Ercolino de Luca confirmou que o clube vai entrar nesta terça com um recurso no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e, com isso, tentará pelos tribunais a permanência na Série A. A alegação é que os pontos disputados vão ter de ser revertidos, pois o jogo foi paralisado por mais de 70 minutos, quando o permitido pelo regulamento é 60.

“Vamos entrar com um recurso nesta terça-feira. Basicamente será por causa do tempo de paralisação. O jogo não era para ter continuado”, disse o dirigente.

Caiu! Vasco foi rebaixado para a Série BCarlos Moraes / Agência O Dia

O recurso será baseado no artigo 21 do regulamento de competições da CBF, que diz, entre outras coisas, que o jogo tem de ser interrompido se a paralisação não terminar em 60 minutos, o que não ocorreu.

Vasco sai pela porta dos fundos

Os jogadores do Vasco fugiram da torcida e da imprensa após o desembarque no Aeroporto Internacional Tom Jobim. Sob forte esquema policial, a delegação deixou o local em quatro vans, que estacionaram na pista, ao lado da aeronave. Ao saber que os atletas haviam ido embora pela porta dos fundos, um grupo de dez torcedores desabafou com gritos de protesto, no saguão de desembarque: “O Vasco é tradição, não é humilhação.”

Longe dali, em São Januário, o clima não era diferente. Desde às 8h, mais de 120 policiais do 4º batalhão garantiram a segurança no estádio, que amanheceu pichado com frases de protesto contra a gestão Dinamite. “Chega de vergonha. Fora, Banana”, diziam algumas das pichações apagadas por funcionários do clube no início da manhã.

Mas nem o forte policiamento intimidou a presença de torcedores no estádio. “O time se acovardou desde a primeira rodada. Foi ridículo sair escondido, em vez de botar a cara. Uma vergonha. Hoje não tive ânimo de trabalhar e nem dormi direito. Quero saber o que eles fizeram com o dinheiro do clube, da venda de jogadores. Cadê o dinheiro?”, questionou o estoquista Nelson Fernando, de 31 anos.

Já o motorista Joaquim Costa, de 52, preferiu fazer um protesto divertido do lado de fora de São Januário, que, por medida de segurança, esteve o dia inteiro fechado: “Vim de Volta Redonda mostrar minha indignação. Trouxe essas bananas que simbolizam os jogadores boêmios que desrespeitaram a instituição. Teve jogador preso de madrugada na Lei Seca mesmo com o Vasco passando por essa situação. Não é muita falta de respeito?”

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