Por douglas.nunes

O volume de aplicações administradas pelos bancos - incluídas aí todas as modalidades de fundos de investimento, e produtos de tesouraria como Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Agrícola (LCA) - cresceu 5,5% no ano passado, segundo informou ontem a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O montante chegou a R$ 531,5 bilhões.

A alta ficou abaixo da inflação medida pelo IPCA (5,9%). É difícil mapear os motivos mas, segundo Marcos Daré, presidente do comitê de varejo da entidade, uma das principais causas foi a volatilidade registrada no ano passado, que provocou uma reversão na curva da Selic (a taxa básica passou a subir em abril). Em dezembro de 2012, o volume investido em poupança era menor do que o aplicado em fundo, mas depois de aumentar 20,5% em 2013, superou o saldo dos fundos, atingindo R$ 598 bilhões. "O investidor brasileiro é predominante e historicamente conservador. Diante da volatilidade e incerteza, fica ainda mais", completa o coordenador do subcomitê de base de dados, Rodrigo Ayub.
Daré acredita, porém, na reversão da tendência neste ano, uma vez que as taxas de juros estão em alta, voltando a tornar os fundos mais atraentes do que a poupança. Mas Daré não vê grandes mudanças de perfil dos investimentos em 2014, ano que ele acredita que será de mais expectativa e cautela. "O que pode ocorrer é migração entre investimentos conservadores, da poupança para fundos DI, por exemplo". Esses fundos ganharam novos investidores em 2013: a sua participação no total aplicado em fundos de investimento passou de 30,5% em 2012 para 38,4% em 2013.

O relatório divulgado nesta quinta-feira pela Anbima mostrou ainda que os produtos de tesouraria, principalmente aqueles isentos de Imposto de Renda - as LCI e LCA - continuaram ganhando terreno sobre os CDBs. "Antes, esses papéis eram comprados por investidores do private banking, depois pelo varejo de alta renda e agora até por investidores com menos renda", diz Daré. A participação dos CDBs recuou de 65,3% em 2012 para 46,7% em 2013, enquanto a das LCA mais do que dobrou, de 6,2% para 16,3% e das LCI passou de 13,9% para 21,3%. Daré, contudo, não acredita que o volume aplicado nessas "letras" supere o dos CDBs, embora veja continuidade do crescimento da demanda. "Há limites de lastro para as LCA e LCI. E a isenção de IR vale apenas para pessoas físicas", lembra Ayub.

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