Brasil é lider em operações de DRs entre latino-americanos

Pesquisa elaborada pela BNY Mellon mostra que investidores estrangeiros procuram no mercado financeiro parceiros que investem em inovação e criatividade, e aprimoram os instrumentos de governança corporativa

Por marta.valim

O investidor estrangeiro continua buscando oportunidades no Brasil, mas para atrair este investidor as empresas precisam buscar alternativas diferenciadas. A afirmação é do diretor de DRs para América Latina do BNY Mellon, Nuno da Silva, que apresentou uma pesquisa avaliando o apetite dos investidores internacionais em relação ao Brasil, durante o 16º Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais.

A pesquisa, encamimhada a 50 investidores norte-americanos qualificados, foi respondida por 10 deles, que mantém uma carteira de investimento no Brasil de US$ 10,5 bilhões. “As empresas têm que competir por capital e buscar fórmulas para atrair o investidor e isso vai depender do nível de abordagem”, disse Silva. O executivo chama a atenção para o fato de que a expansão verificada nos últimos dez anos no País não irá se repetir e que este é o momento de inovar, ser criativo, adotar novas estratégias de negócios e melhorar a governança. “Difícil que haja condições tão prósperas novamente”, estima. “Na dificuldade sempre há oportunidade e, mais do que oportunidade, há necessidade de encontrar novos caminhos. É difícil voltar para os níveis de 2011. É preciso se acostumar com a nova realidade e buscar novas oportunidades”, disse.

A pesquisa feita pela BNY Mellon, mostrou que o levantamento de capital através de Depositary Receipts mais que dobrou de janeiro a junho deste ano, liderado por IPOs nos Estados Unidos. O primeiro semestre de 2014 teve o mais alto nível de levantamento de capital através de DR nos últimos três anos. Em 30 de junho, 41 transações no mercado de capitais globais haviam levantado mais de US$ 9,1 bilhões, bem mais do que os US$ 3,6 bilhões captados por meio de 20 operações durante o mesmo período em 2013. O BNY Mellon serviu como banco depositário para 18 dos negócios realizados este ano, os quais arrecadaram mais de US$ 3,1 bilhões.

Na América Latina, o Brasil continua liderando as operações de DR, com 80% do volume negociado (17,9 bilhões de DRs), seguido pelo México (3,1 bilhões) e Argentina (0,5 bilhões). O País também lidera as negociações no que tange ao valor das operações, totalizando US$ 191,5 bilhões. No Brasil, o BNY Mellon apoiou a telefônica Oi a levantar US$ 3 bilhões em mercados públicos, sendo 40% deste valor em forma de recibos de ações. O DR brasileiro cujo preço apresentou o melhor desempenho até 30 de junho foi o da Cemig, com alta de 42%. "Depois de um período marcado pela preocupação com reduções da recompra de títulos pelo FED nos EUA, a atenção dos investidores está novamente se voltando para os mercados emergentes a fim de buscar parcerias com empresas inovadoras", disse Silva. "O retorno vigoroso de IPOs estrangeiros nas bolsas norte-americanas, utilizando a eficiência e o alcance de DRs, indica que as empresas globais e investidores veem isso como um mercado saudável com fortes altas", complementa.

A pesquisa do BNY Mellon também mostrou que 70% dos investidores consideram a questão política determinante para os próximo 12 a 18 meses. No entanto, o Chefe de Economia e Estratégia de Renda-Fixa para o Brasil do Bank of America Merril Lynch, David Beker, não concorda que a questão política tem influenciado mais do que o cenário internacional. De acordo com ele, o Brasil esgotou o drive de crescimento: China crescendo mais de dois dígitos e crédito de 25% para 55% do PIB. “Esses fatores não vão se repetir”, afirma. Ele explica que se fizer um gráfico de Turquia e Brasil e colocar um em cima do outro eles serão iguais. “O cenário internacional se sobrepõe, em termos de investimentos, sobre o quadro eleitoral”, disse. Para Beker, o novo governo precisa mostrar comprometimento com o ajuste fiscal, para ganhar a confiança do investidor novamente.

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