Aplicação em fundos e títulos supera poupança em 2014

Investidores de varejo e alta renda já preferem instrumentos mais sofisticados que a caderneta. Saldo fechou em R$ 667,7 bi, ante R$ 662,7 bi da concorrente, no ano passado

Por monica.lima

São Paulo - Com a alta dos juros e da inflação, o aumento da renda da população, os esforços de educação financeira e a oferta de novos títulos isentos de impostos sobre os rendimentos, a caderneta de poupança está perdendo espaço entre os investidores de varejo no Brasil.

No final do ano passado, o saldo da poupança — cujos rendimentos estão abaixo da inflação há três meses — estava em R$ 662,7 bilhões. Já o saldo aplicado em fundos de investimento, Tesouro Direto, ações e outros papéis de renda fixa, como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), Letras do Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) fechou o ano em R$ 667,7 bilhões, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima). Com isso, essas alternativas superaram, juntas, o volume das cadernetas.

O aumento do saldo dessas aplicações foi de 14,8%, ante alta de 10,8% do saldo da poupança. Além da troca da poupança por outros instrumentos, houve ainda um aumento da procura por opções de curto prazo, como fundos DI e títulos privados com liquidez diária.

Segundo Marcos Daré, presidente do comitê de varejo da Anbima, o aumento da taxa de juros ao longo de 2014 e o cenário de alta volatilidade foram os principais responsáveis.

“O cenário instável promoveu uma migração do investidor para alternativas conservadoras e de baixo risco. Neste contexto, os produtos isentos de imposto de renda, como as LCIs e LCAs, atraíram bastante o investidor, enquanto os fundos mais sofisticados, como multimercados e ações, perderam espaço nas carteiras”, afirma. “Parte do dinheiro que saiu da poupança pode ter migrado para as LCI, que rendem mais e também não pagam impostos”, acrescentou Daré.

No entanto, o advento da cobrança de impostos nesses títulos e também nas LCAs — assim como o arrefecimento da demanda por créditos que lastreiam as emissões dos papéis —, deve conter a expansão neste ano.

De acordo com Rodrigo Ayub, coordenador da base de dados do varejo na Anbima, o crescimento do varejo em 2014 demonstra um apetite maior do investidor por produtos de investimentos além da tradicional poupança. “Geralmente, os investidores mais qualificados é que puxam a expansão. No entanto, em 2014, essa lógica se inverteu com uma expansão de 11,8% do private e 14,8% do varejo”, afirma.

O crescimento do patrimônio investido por clientes de varejo e varejo alta renda em 2014 foi liderado pelas aplicações em títulos e valores mobiliários (16,7%), que alcançaram 58,1% da carteira desses investidores. As LCIs e LCAs cresceram 54,3% e as operações compromissadas, 21,7%. O crescimento de 14,3% das aplicações em ações garantiu a manutenção de sua participação no total da carteira em 3,8%, a despeito do desempenho desfavorável. Já os investimentos em títulos do Tesouro expandiram ligeiramente sua parcela, de 1,4% para 2%, entre dezembro de 2013 e 2014.

“As Letras Financeiras do Tesouro (LFT) são a nova poupança”, diz Roberto Altenhofen, analista da Empiricus. Segundo ele, depois das mudanças no Tesouro Direto, anunciadas nesta semana, os papéis ganharam liquidez diária. “Pagam mais do que a poupança e tem a garantia do governo”, diz.

O menor crescimento das aplicações em fundos de investimento (12,2%) provocou uma redução da participação desses investimentos na carteira, de 42,8% para 41,9%, no mesmo período. Os recursos destinaram-se majoritariamente à categoria Referenciado DI, que respondeu por 44,3% do total aplicado em fundos.

Em 2014, a Anbima promoveu algumas mudanças na sua base de dados, ampliando de nove para 15 o número de instituições contempladas na estatística, e incluindo também produtos distribuídos por corretoras, como ações, Tesouro Direto, debêntures, fundos de participação, de recebíveis e imobiliários. As mesmas inclusões foram realizadas na base de 2013 , o que resultou numa revisão dos valores divulgados anteriormente (R$ 51 bilhões a mais no volume de investimentos e 900 mil clientes a mais). Ou seja, a alta de 14,8% reflete o aumento de 2013 a 2014 já com a base ampliada.

“No ano que vem, vamos incluir a poupança também”, informou Ayub. A Anbima respeita os critérios para definir investidor de varejo e varejo de alta renda estipulados pelos bancos participantes da base de dados . Normalmente, são fixados com base na renda ou no volume de aplicação de cada cliente, explicou Ayub.

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