Captações corporativas têm queda de 53% no semestre

Com retração da economia, empresas enfrentam dificuldade de se financiar no mercado de capitais; na renda fixa, emissões locais e externas somaram R$ 57,6 bilhões de janeiro a junho, 60% menor que no mesmo período de 2014

Por monica.lima

A piora da economia brasileira no primeiro semestre de 2015 afetou a estratégia de captação das empresas no mercado de capitais, segundo números divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima).

No segmento de renda fixa, as captações acumuladas no período, tanto as domésticas como as externas, somaram R$ 57,6 bilhões, valor 60% inferior aos R$ 143,09 bilhões registrados no mesmo período do ano passado — e o nível mais baixo desde 2009. No segmento de renda variável, apesar de o volume captado ser 11,5% superior do que no primeiro semestre passado, de R$ 14,9 bilhões para R$ 16,7 bilhões, apenas duas empresas recorreram a esse mercado, repetindo o baixo interesse observado em 2014 pelo financiamento por meio da colocação de ações.

“Os resultados do primeiro semestre refletem um cenário volátil e um pessimismo generalizado das companhias frente ao atual cenário macroeconômico. No entanto, temos uma expectativa positiva para o segundo semestre, com prováveis emissões de renda variável no mercado doméstico e ainda um aumento das emissões de dívida com o programa de estímulo de títulos corporativos com o BNDES”, afirma Carolina Lacerda, diretora da Anbima.

As poucas emissões domésticas no mês de junho reforçaram esse quadro, sendo este o pior resultado da década, com volume de apenas R$ 2,15 bilhões, considerando as ofertas de renda fixa e variável. De qualquer forma, no semestre, as debêntures continuaram como o principal instrumento de renda fixa utilizado pelas empresas e, como ocorre desde 2010, as emissões sob esforços restritos prevaleceram entre as modalidades de captação.

Contudo, vale destacar o crescimento da participação das ofertas ICVM nº 400 (ofertas públicas de valores mobiliários), que atingiu 23,6% contra a média de 13% dos últimos quatro anos, puxadas pelas emissões das debêntures para os projetos de infraestrutura. Nesse sentido, o Programa de Investimento em Logística (PIL), anunciado pelo governo no começo de junho, reforçou o papel do mercado de capitais entre as fontes de financiamento dos projetos do Programa. Segundo a Anbima, isso cria uma expectativa favorável, principalmente para as debêntures, para o começo do segundo semestre deste ano, quando está prevista a rodada de concessões públicas.

Após um início de ano sem colocações externas e com baixo volume de ofertas no mercado local, o mês de junho registrou novas emissões de bonds de seis companhias brasileiras no mercado internacional que atingiram quase US$ 6 bilhões. Em grande medida, as ofertas externas foram estimuladas pelo aumento do custo das emissões locais, com a trajetória de alta da taxa Selic.

BNDESPar investirá R$ 800 milhões em nove FIPs

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investirá este ano, por meio de sua subsidiária de participações societárias, R$ 800 milhões em nove novos fundos de participações. Eles se somarão à carteira de 34 fundos de investimento que já têm participação da BNDES Par.

Os novos fundos, cujos gestores foram selecionados em 2014, viabilizarão aportes em mais de 80 empresas nos próximos quatro anos. Com este aporte, a BNDESPar eleva seu número de companhias investidas de 130 para mais de 200 nos próximos anos, mantendo-se na liderança entre os investidores atuantes no País em fundos de venture capital e private equity.

Dos novos fundos, três são focados em empresas nascentes e pequenas e médias empresas (PMEs) de base tecnológica; um em médias empresas em expansão; um em setor de educação com ênfase em saúde; um em ativos de infraestrutura; um em impacto social; e dois em formação do mercado de acesso, para fomentar ofertas públicas de médias empresas.

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