Indústria em queda e Petrobras pesam e Ibovespa cai 0,38%

Dólar fechou em alta pelo quarto dia seguido, cotado a R$ 2,284

Por parroyo

São Paulo - Em dia de agenda de muitos indicadores, o fraco desempenho da indústria nacional e a expectativa que a Petrobras siga sem aumentar o preço dos combustíveis pressionou o Ibovespa, que apresentou queda de 0,38%, para os 51.832 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,3 bilhões.

A produção industrial caiu 0,3% em abril, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto os economistas projetavam leve alta. “A economia deve ter um fraco desempenho também no segundo trimestre”, disse o estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi. Nos três primeiros meses do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) protagonizou leve alta de 0,2%.

Negociado a R$ 2,28, dólar crava a quarta alta seguida e atinge a maior cotação desde 26 de marçoAFP

O dado espalhou pessimismo no mercado e os papéis dos bancos, que têm peso relevante no Ibovespa, recuaram. As ações do Bradesco (BBDC4) perderam 0,86% e as do Itaú (ITUB4) caíram 1,14%.

A ação da Petrobras (PETR4) também pressionou o índice ao sofrer desvalorização de 1,78%. Nesta tarde, foi divulgada a notícia de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidente do conselho da estatal, teria impedido um possível reajuste nos preços dos combustíveis. “Isso ajudou a derrubar a ação da empresa, pois quando o balanço do primeiro trimestre veio fraco, o álibi da presidente da companhia, Graça Foster, era justamente esse aumento”, afirmou Galdi.

À frente dos ganhos, as ações da Energias Brasil (ENBR3) avançaram 3,64%. Na ponta negativa, os papéis da Natura (NATU3) perderam 2,55%. 

Nesta quinta-feira, a expectativa se volta para a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) relativa à última reunião, na qual a autoridade monetária decidiu pela manutenção da taxa básica de juros em 11%. “A inflação está vindo baixa, então não há motivo para uma sinalização de aumento da Selic”, comentou Galdi, para quem a preocupação se volta agora para a alta do dólar, que pode pressionar os preços e contribuir para uma mudança de postura do BC.

Estados Unidos e Europa

As bolsas americanas fecharam em campo positivo. O Dow Jones subiu 0,09%, o S&P teve alta de 0,19% e o Nasdaq avançou 0,41%. O destaque da agenda ficou para o relatório de emprego do setor privado, que revelou a criação de menos vagas de trabalho que o esperado em maio. O dado é considerado uma prévia do relatório geral de emprego, o Payroll, que será conhecido na sexta-feira.

Para o economista-chefe da Guide Investimentos, Guilherme da Nóbrega, o número fraco não altera de forma significativa as previsões positivas para o Payroll. “O consenso de mercado aponta criação de 213 mil, mas o dado pode surpreender de forma positiva”, disse Nóbrega em relatório. O mercado de trabalho é um importante balizador para mudanças na política monetária expansionista aplicada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Na Europa, o mercado espera o anúncio de estímulos econômicos pelo Banco Central Europeu na manhã desta quinta-feira. Em meio ao fraco crescimento dos países da Zona do Euro e ao risco de deflação, a autoridade monetária sinalizou que poderia decidir pela implantação de um programa de compra de ativos e juros de depósitos negativos.

Dólar

No mercado de câmbio, o dólar teve a quarta alta consecutiva nesta quarta-feira, de 0,24%, cotado a R$ 2,284 na venda – o maior valor desde 26 de março.

Para atrair dólares ao mercado e controlar a alta da divisa, o governo anunciou alíquota zero de Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para os empréstimos com prazo acima de seis meses.

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