Número de gestoras de fundos cairá pela metade até 2030, segundo KPMG

Estudo mostra que tecnologia e base de clientes passam por transformações que levarão à nova realidade

Por monica.lima

São Paulo - O número de empresas de gestão de ativos no mundo deverá cair pela metade até 2030, de acordo com o relatório “Investindo no futuro” (Investing in the future, em inglês) realizado pela KPMG Internacional. De acordo com o estudo, o mercado irá passar por uma enorme transformação nos próximos anos em virtude de quatro megatendências — demográfica, cultura ambiental, valores sociais e tecnologia. “Isso levará as gestoras a repensarem o seu negócio se quiserem permanecer no mercado”, avalia o sócio da área de Serviços Financeiros da KPMG no Brasil, Oliver Cunningham.

No caso da primeira megatendência, o relatório destaca o fato de as pessoas estarem trabalhando e vivendo mais. Na questão ambiental, as incertezas sobre os recursos hídricos estão levando a uma mudança de comportamento e prioridades. Os valores sociais e éticos já estão levando à escolha de produtos e serviços que tenham uma mensagem mais consciente. E, por último, o avanço tecnológico que está alterando os modelos de negócios. De acordo com o relatório divulgado com exclusividade para o Brasil Econômico, a base de clientes de um gestor de ativos comum será completamente diferente à medida que a Geração X se aproxima da aposentadoria, a Geração Y amadurece e a classe média se expande em mercados emergentes. Segundo a publicação, os atuais modelos de negócio não serão adequados à finalidade pretendida. “Estamos prestes a vivenciar a maior reestruturação do setor. As duas maiores questões que precisam ser abordadas são a tecnologia e a base de clientes, que passam por transformações, e os gestores de ativos precisam focar seus esforços nessas áreas”, analisa Cunningham.

De acordo com o relatório, os gestores precisam ter ciência de que o perfil dos compradores está se transformando e será mais diversificado do que é hoje, o que inclui investidores muito mais jovens. Além disso, o sócio da KPMG avalia que é inegável que as mulheres estão controlando uma parte cada vez maior da riqueza familiar. O relatório destaca ainda que hoje a cadeia de valor de investimento está focada em entregar retorno e isto irá abrir oportunidades para outras classes da cadeia que tenham capacidade de agregar informações, simplificar gestão de ativos, fornecer educação financeira e atuar na cadeia com agilidade. O relatório também destaca a importância de investimentos tecnológicos em novos focos. O estudo aponta que os gestores de ativos ainda têm um longo caminho a percorrer em relação ao reconhecimento e à exploração de big data e data analytics. Embora a área de TI já esteja atraindo uma quantia de investimento significativa, há uma ênfase muito reduzida no desenvolvimento da arquitetura para atender às necessidades comerciais futuras.

O estudo prevê ainda que a maioria das pessoas comprará produtos de investimento online, em vez de comprá-los diretamente de um consultor. “A crescente relevância das comunidades e das redes sociais online também está mudando as atitudes e os comportamentos. Os consumidores estão cada vez mais buscando opiniões de outras pessoas em vez de buscar conselhos, orientações e direcionamentos de profissionais”, conclui

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