Aversão ao risco toma conta do mercado e Ibovespa cai 0,73%

Aumento da presença de tropas russas na fronteira da Ucrânia preocupa investidores. Dólar ultrapassa os R$ 2,28 após dois meses

Por parroyo

O movimento vendedor prevaleceu nas bolsas norte-americanas e refletiu também no Ibovespa, que fechou em queda de 0,73%, aos 56.202 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,5 bilhões. A aversão ao risco ganhou força na parte da tarde, com a notícia de que a Rússia teria duplicado o número de tropas na fronteira da Ucrânia e poderia estar preparando uma invasão.

O principal índice da Bovespa, que operou volátil durante boa parte da sessão, teve a queda atenuada pelo desempenho positivo de Petrobras PN, que subiu 1,08%. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou que pode haver um reajuste no preço da gasolina ainda este ano. Itaú PN, com alta de 1,35%, também deu fôlego ao Ibovespa. O movimento reflete o avanço de 36,7% no lucro líquido do banco no segundo trimestre, para R$ 4,89 bilhões.

À frente dos ganhos, MRV ON subiu 2,70%. Na ponta negativa, as ações de empresas de telecomunicação recuaram após a Telefônica fazer uma proposta para a compra da subsidiária da empresa francesa Vivendi no Brasil, a GVT, por R$ 20,1 bilhões. Tim ON liderou as baixas ao recuar 8,48%; Oi PN caiu 7,59% e Telefônica PN recuou 6,55%. As companhias de telefonia podem perder mercado caso o negócio se concretize. “Mesmo tendo que passar pela aprovação de órgãos de regulação de concorrência, a operação pode ser aprovada com ressalvas”, apontou a equipe de análise da Magliano Corretora.

A ação preferencial da Vale, por sua vez, perdeu 1,39% como reflexo de dados mais fracos da China. O setor de serviços do gigante asiático amargou, no mês passado, o menor nível de atividade em quase nove anos.

Nos Estados Unidos, os indicadores econômicos ficaram em segundo plano diante do aumento da tensão geopolítica entre Rússia e Ucrânia. As bolsas fecharam no vermelho mesmo após o setor de serviços do país ter alcançado o melhor nível de atividade em seis anos no mês de julho e as encomendas à indústria terem avançado 1,1% em junho. O Dow Jones caiu 0,84%, o S&P recuou 0,97% e o Nasdaq teve queda de 0,71%.

Dólar

No mercado de câmbio, o dólar disparou 0,89%, cotado a R$ 2,283 na venda – é a primeira vez em dois meses que a moeda norte-americana ultrapassa os R$ 2,28. Em 4 de junho, a cotação ficou em R$ 2,284. A aversão ao risco por conta das tensões geopolíticas na Europa ampararam o avanço da divisa, que já operava em alta no início da sessão por conta de núemeros mais fracos da China e dados positivos dos Estados Unidos, “o que fortalece as especulações sobre uma antecipação do processo de aperto monetário pelo Federal Reserve”, aponta a Correparti, em nota.

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