Por marta.valim

O novo modelo de acesso das corretoras para intermediação de negócios na BM&FBovespa divide o mercado sobre a consolidação do setor e ainda gera dúvidas sobre como será a atuação de cada participante. Na semana passada, o presidente da Bolsa, Edemir Pinto, informou à imprensa que a Comissão de Valores Mobiliário (CVM) deu o aval para que as corretoras passem a operar pelo modelo Participante de Negociação Pleno (PNP) ou Participante de Negociação (PN) e que o mercado seria informado oficialmente até hoje sobre as mudanças.

O presidente da Magliano Corretora, Raymundo Magliano Neto, explica que já opera no sistema por conta e ordem há um ano, semelhante ao PN, e que a decisão foi tomada após ser informado pela Bolsa que o sistema passaria a ser PNP e PN. A corretora será PN. "Há um ano tomamos a decisão. Estamos operando via a Caixa Geral de Depósito (CGD) e já tivemos nossa garantia liberada. Parte do valor foi investido no departamento comercial e na reforma do escritório. Outra parte ficou reservada para as garantias necessárias junto a CGD", explica.

Para Magliano Neto o novo modelo irá permitir uma especialização das corretoras, que poderão atuar com mais qualidade numa determinada área. "Não sei se vai haver consolidação mas, com certeza terá especialização. Haverá uma divisão das corretoras por nicho de mercado", avalia.

O diretor comercial da UM Investimentos, Rafael Giovani, avalia que para a quantidade de negócios hoje, o número de corretoras deveria cair pela metade. Sobre a mudança, Giovani avalia como positiva, mas pondera que ainda há dúvidas sobre o nível de auditoria de uma PN e as garantias exigidas. “Dependendo das exigências, isso pode inviabilizar uma corretora de se tornar PN. Precisamos esperar a comunicação oficial", disse. A UM será uma PNP e já está trabalhando para atrair corretoras PN.

Já para o superintendente de Backoffice da Ativa Corretora, Raul Meyer, a principal vantagem para a PN é que ela não precisará investir numa estrutura tecnológica grande, passará a ser reconhecida pela BM&FBovespa e poderá ser elegível para o Programa de Qualidade Operacional (PQO). Além disso, a PN também será fiscalizada pela Bolsa de Supervisão de Mercado (BSM) e terá que se enquadrar nas regras do órgão fiscalizador. Meyer ressalta ainda que o novo modelo não causará nenhum impacto no cliente final. "Não muda nada. A mudança é interna", explica.

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