Por monica.lima

São Paulo - A eleição presidencial já tem um vencedor antes mesmo de ter o pleito final do segundo turno. Enquanto investidores e empresas podem perder com a maior volatilidade de ações, índices, juros e outros ativos negociados na BM&FBovespa, a Bolsa de Valores paulista viu crescer o giro financeiro dos pregões e isso terá impacto positivo no resultado do terceiro trimestre da empresa. O volume de negócios da Bolsa passou de R$ 136,9 bilhões em janeiro deste ano para R$ 173,7 bilhões em setembro e neste mês até o dia 9 já soma R$ 65,1 bilhões, cerca de 40% do mês anterior.

Para o analista da Um Investimentos Ivo Seixas, a performance do Ibovespa já deve se refletir nos resultados do terceiro trimestre da BM&FBovespa, também uma companhia aberta. Ele lembra que a empresa apresentou contração nos principais resultados do segundo trimestre, como receita, Ebtida e lucro líquido. “Os números vieram um pouco menor do que o esperado”, diz, ressaltando que o resultado refletiu a redução do volume de negócios no período, que foi causada pelo cenário macroeconômico — fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com inflação e juro altos. “Embora o Ibovespa tenha apresentado alta neste período, o investidor estava mais cauteloso e o volume de negócios não foi tão expressivo”, observa.

O rali eleitoral dos últimos dias e, mais precisamente da última semana, tem ditado o ritmo dos negócios na Bolsa. As dúvidas sobre quem comandará o Brasil a partir de janeiro tem trazido grande volatilidade aos negócios. Na semana passada, a ida do candidato Aécio Neves (PSDB) para o segundo turno com pequena diferença em relação à candidata Dilma Rousseff (PT) animou os investidores que levaram para a Bolsa, num único dia, mais de R$ 12 bilhões. Para o mercado, o candidato do PSDB se mostra mais disposto a adotar medidas que irão levar ao crescimento econômico e trazer a inflação para o centro da meta.

O analista-chefe da Gradual Investimentos, Flavio Conde, também avalia que o impacto já será observado nos próximos resultados da Bolsa. “Com certeza vai ter porque os volumes cresceram. Isso é receita na veia. Não tem essa história de vamos ver”, diz. Para ele, se não fosse um ano de eleição o volume financeiro não iria apresentar esses “mega picos”. “Isso vem ocorrendo por eleições. Num momento de economia fraca, a Bolsa não teria esse volume”, diz. “Caso Aécio ganhe a eleição, a alta da Bolsa deve continuar, o volume de negócios aumentar e devemos ver a volta dos IPOs, emissão de empresas, emissão de debêntures, tudo está sendo esperado neste sentido, tudo vai ser tirado da gaveta”, acrescenta.

O analista da XP Investimentos Thiago Souza, avalia que, mais do que a questão política, a Bolsa tem dois drivers principais que impulsionam os negócios: a taxa de juro elevada e a perspectiva de crescimento da economia. Ele pondera que a vitória de Aécio deve influenciar o ativo num primeiro momento, no entanto, a continuidade do movimento irá depender do que será feito, de fato, para mudar o rumo da economia. “Se o investidor estiver pensando no médio e longo prazo ele vai estar mais atento aos fundamentos e, neste sentido, o cenário eleitoral não altera o fundamento”, diz.

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