Bovespa fecha em baixa de mais de 1% por temores de racionamento

Dólar avança por ajustes após quedas recentes, mas continua abaixo de R$2,60

Por douglas.nunes

A Bovespa caiu mais de 1% nesta sexta-feira, após três ganhos consecutivos, refletindo temores de racionamento de energia e água no Brasil e pressionada pelas ações da mineradora Vale, que tiveram recomendação reduzida por um banco estrangeiro.

O Ibovespa perdeu 1,35%, a 48.775 pontos, encerrando a semana com baixa acumulada de 0,49%. O giro financeiro do pregão totalizou R$ 5,6 bilhões.

A queda das bolsas nos Estados Unidos, por resultados corportativos desapontadores, também pesou no desempenho da bolsa brasileira. Mas o principal apreensão no mercado doméstico veio da atual crise hídrica.

"Há uma preocupação geral com os setores de energia e água, ainda mais com o ministro (de Minas e Energia, Eduardo Braga) afirmando que se os reservatórios das hidrelétricas caírem abaixo do limite de 10%, o país pode precisar de racionamento. Isso acaba prejudicando a economia como um todo", disse o operador da Renascença DTVM Luiz Roberto Monteiro.

Braga admitiu a chance de racionamento na véspera, embora tenha afirmado que o país ainda está longe disso.

A concessionária de saneamento do Estado de São Paulo, Sabesp, teve a maior queda do Ibovespa, de 11,65%, diante de sinais de piora do cenário hídrico do país. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) previu nesta sexta que as chuvas que deverão chegar às represas da região Sudeste em janeiro sejam equivalentes a 43% da média histórica.

O índice também foi pressionado pela Vale, após o Goldman Sachs reduzir a recomendação para os papéis da mineradora de compra para neutra, diante da piora em suas previsões para os preços do minério de ferro, do níquel e do cobre, que impactam o fluxo de caixa e os múltiplos da gigante brasileira. A preferencial da companhia na Bovespa caiu 5,32%, enquanto a ADR recuava quase 10 por cento.

O Goldman cortou ainda o preço-alvo da ação da CSN de R$ 4 para 3,80, mantendo a recomendação de venda. Os papéis da empresa tiveram a terceira maior baixa do Ibovespa.

Ações de bancos também recuaram, assim como Petrobras, com o mercado na expectativa pelo balanço do terceiro trimestre da estatal, que pode ser divulgado na próxima terça-feira. A Petrobras informou nesta sexta-feira que ainda avalia valor de baixas contábeis que poderá fazer em função dos desdobramentos da Operação Lava Jato.

No sentido oposto, a operadora Oi ganhou 3,55%, depois de já ter subido 32,2% nos dois pregões anteriores pela expectativa de aprovação por acionistas da Portugal Telecom SGPS da venda de seus ativos portugueses à Altice. A aprovação ocorreu na véspera, encerrando várias semanas de incerteza.

Embraer foi outra ação que despontou entre as principais altas, com ganho de 3,29%.

Dólar avança por ajustes após quedas recentes, mas continua abaixo de R$ 2,60

O dólar fechou em alta ante o real nesta sexta-feira, após cair 3 por cento nas últimas três sessões, mas continuou abaixo de R$ 2,60, nível que vinha limitando os recuos da divisa, um dia após o Banco Central Europeu (BCE) anunciar novo estímulo econômico que deve elevar a liquidez global.

A moeda norte-americana avançou 0,56%, a R$ 2,5889 na venda, após cair 1,23% na véspera, a R$ 2,5745. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 2,6 bilhões.

"O cenário interno e o cenário global estão favoráveis (ao real), mas sempre que há uma queda grande como a de ontem, é normal que o mercado aproveite para ajustar carteiras", disse o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.

Na véspera, o BCE anunciou que comprará mensalmente € 60 bilhões na economia da zona do euro para estimular a atividade e enfrentar a ameaça de deflação.

A perspectiva de que parte desses recursos migre para o Brasil em busca de rendimentos elevados serviu de gota d'água para que o dólar ampliasse a trajetória de perdas vista nas últimas sessões e se firmasse abaixo de R$ 2,60.

Nos mercados externos, a expectativa de maior oferta de euros impulsionava a divisa norte-americana contra a moeda europeia, chegando a alcançar a máxima em mais de 11 anos.

O dólar já vinha mostrando alívio nas semanas anteriores em função das demonstrações de maior rigor fiscal do governo brasileiro, mas enfrentava dificuldades para se sustentar abaixo desse patamar, atraindo compradores. Segundo analistas, o quadro atual de inflação alta e crescimento baixo também limitava as perdas da divisa.

"A expressão que resume o que o mercado está sentindo é 'otimismo contido'", disse o operador de câmbio da corretora Walpires José Carlos Amado.

Nesta manhã, o Banco Central deu continuidade às atuações diárias, vendendo a oferta total de até 2 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 300 contratos para 1º de setembro e 1.700 para 1º de dezembro, com volume correspondente a US$ 98,4 milhões.

O BC fez ainda mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em 2 de fevereiro, que equivalem a US$ 10,405 bilhões, vendendo a oferta total de até 10 mil contratos. Até agora, a autoridade monetária já rolou cerca de 75% do lote total.

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