Ibovespa fecha em alta de 1,5%, com elétricas na ponta

No mercado de câmbio, dólar dispara quase 1% e atinge o maior patamar em mais de um mês, cotado a R$ 2,71

Por parroyo

O Ibobespa fechou o primeiro pregão de fevereiro no azul, guiado pela recuperação das ações da Petrobras e avanço nos papéis da Vale. Ações do setor elétrico ficaram entre as maiores alta do dia, na véspera de reunião da Aneel que deve votar os parâmetros do próximo ciclo de revisão tarifária e o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

O principal índice da Bovespa encerrou o dia em alta de 1,58%, aos 47.650 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,57 bilhões.

Após perder mais de 6% em janeiro, o principal índice da bolsa começou a segunda-feira volátil, com investidores ainda reticentes sobre o cenário macroeconômico, enquanto portfólios de ações reforçavam ainda as preocupações com o risco de racionamento de energia e potenciais efeitos de desdobramentos das investigações de corrupção na Petrobras.

As ações da estatal chegaram a enfraquecer no final da manhã, mas firmaram-se em alta na segunda etapa do dia, respondendo por um dos principais suportes positivos do Ibovespa, após perdas fortes na sexta-feira, diante do corte do rating pela Moody's.

Ações de bancos terminaram sem uma tendência única, com os privados Itaú Unibanco e Bradesco no azul, enquanto Banco do Brasil caiu 2,23%, após apresentarem volatilidade ao longo da sessão com incertezas sobre a exposição das instituições financeiras à Petrobras.

Em nota a clientes, a corretora Brasil Plural destacou que, no balanço da Petrobras, a exposição bancária total é de 151 bilhões de reais (não circulante) e que esse número inclui todos os bancos do sistema, inclusive BNDES. Além disso, citaram que a dívida total da Petrobras, incluindo debêntures, é de R$ 303 bilhões.

Os papéis ON da Vale subiram 6,07% e as preferenciais ganharam 4,05%, reforçando a recuperação, depois que a mineradora propôs na sexta-feira o pagamento de US$ 2 bilhões em remuneração mínima a acionistas em 2015, reduzindo pela metade o valor pago um ano antes.

O BTG Pactual avaliou positivamente a decisão, citando em relatório que a preservação do balanço é fundamental até 2016. Mas reduziu o preço-alvo para o ADR (recibo de ação nos Estados Unidos) da mineradora para US$ 10, ante US$ 12 anteriormente.

Também chamou a atenção a forte alta de papéis do setor elétrico, como CPFL Energia, Light e Copel, antes de reunião da Aneel nesta terça-feira.

De acordo com uma fonte do governo federal ouvida pela Reuters, o custo médio ponderado de capital (WACC) das distribuidoras para o próximo ciclo de revisão tarifária deve subir em relação à proposta inicial feita pela agência.

CPFL Energia ainda foi incluída na carteira recomendada de ações do BTG Pactual para fevereiro, apesar de os estrategistas da casa afirmarem em relatório que estão preocupados com a possibilidade de racionamento de energia no Brasil.

"No entanto, algumas ações de serviços públicos têm sofrido tanto, o que nos faz acreditar que os preços já embutem um racionamento. Este é o caso da CPFL, que tem uma das melhores equipes de gestão no setor e deve ser um das menos afetadas se racionamento ocorrer", disse o BTG.

Carteiras de ações compiladas pela Reuters, aliás, mostraram que corretoras mantiveram o tom defensivo na escolha de papéis para o mês, enquanto elevar receios sobre os riscos de falta de energia no país. BB Seguridade, considerado um papel defensivo, avançou 2,04%.

Dólar

No mercado de câmbio, o dólar subiu 0,96%, cotado a R$ 2,715 na venda, maior patamar desde 16 de dezembro.

"Ninguém sabia se o dólar ia continuar em alta depois de um avanço tão forte (na sexta-feira)", explicou o diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros. "Ao ver que o mercado continuou estressado hoje, todo mundo que estava vendido desmontou essas posições".

Desde o início do ano, o dólar vinha recuando firmemente em relação ao real, reagindo ao maior rigor fiscal no Brasil e à perspectiva de liquidez abundante no mundo. Segundo operadores, isso levou alguns investidores a apostarem em mais quedas.

Mas, na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sugeriu que não há intenção do governo de manter o real valorizado artificialmente. O mercado entendeu a fala como um sinal de que a atuação do BC no câmbio poderia diminuir no curto prazo, reduzindo a oferta de dólares no mercado.

Na avaliação do economista da 4Cast Pedro Tuesta, se o BC de fato reduzir sua presença no mercado, a tendência é que o dólar suba ainda mais. "Se o BC fizer rolagens de 80 por cento (de cada lote de swaps) ou menos, poderíamos facilmente imaginar o dólar a R$ 2,80 ou R$ 2,85", afirmou.

Mais tarde, no mesmo dia, a assessoria de imprensa do ministro procurou a imprensa para afirmar que a declaração se referia ao câmbio no mundo, mas isso não foi suficiente para mitigar de forma significativa a alta do dólar. A moeda norte-americana chegou a corrigir parte do avanço nesta manhã, mas logo voltou a subir.

Isso levou investidores a desmontar posições vendidas, intensificando o movimento, mesmo após o BC sinalizar, depois do fechamento dos negócios na sexta-feira, a rolagem integral dos swaps cambiais que vencem em março.


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