Por parroyo

Depois de um período de pessimismo, o Ibovespa ganha fôlego extra em abril na esteira da desvalorização do real, que tornou o preço dos ativos atrativos e impulsionou os estrangeiros a irem às compras, com foco principalmente nas ações da Vale e da Petrobras. O principal índice da Bolsa acumulou alta de 9,93% em abril. No ano, o avanço é de 12,44%. Após o período de euforia, a expectativa dos analistas é de calmaria no mercado em maio, período que não guarda espaço para uma nova disparada do índice.

Embora o dólar tenha fechado o mês em queda de 5,57% (cotado a R$ 3,01), neste ano a divisa acumula alta superior a 11%. Tal movimento fomentou a compra tanto dos papéis da Petrobras – os ON tiveram ganhos de 48,7% e os PN subiram 34,2% – quanto dos da Vale, que valorizam 22,1% no período, beneficiados ainda pela recuperação no preço do minério de ferro. Na quinta- feira, véspera de feriado do Dia do Trabalho, o Ibovespa subiu 1,63%, aos 56.229 pontos.

“O Ibovespa segue em tendência de alta, em busca dos 58 mil pontos, mas com grande probabilidade de realizações pontuais. Maio deve ser um mês de calmaria, sem grandes chances um novo rali na Bolsa. Ainda assim, o mercado brasileiro não deve perder a atratividade, em função da desvalorização do real e da probabilidade de juros baixos por mais tempo nos Estados Unidos”, avaliou o analista da Clear Corretora, Raphael Figueredo.

Figueredo acredita que o grande divisor de águas da Bolsa – em relação à permanência ou não de capital estrangeiro no Brasil – será o momento em que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) analisar que a recuperação da economia do país é consistente e anunciar a alta de juros, o que irá diminuir consideravelmente a liquidez no mercado e pode atrair de volta para os Estados Unidos grande parte dos recursos hoje alocados em nações emergentes.

Por este motivo, o indicador mais aguardado da agenda da semana que vem é o relatório geral de emprego dos Estados Unidos (Payroll), a ser conhecido na sexta-feira e que pode conformar a lenta recuperação da economia, que mostrou fraqueza no primeiro trimestre – avanço de 0,2%, abaixo da expectativa de alta de 1%. “O fraco desempenho da economia pode ter sido reflexo do inverno rigoroso que atingiu o hemisfério norte. E esse dado de emprego pode confirmar ou descartar essa suspeita”, destacou o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno.

A evolução do mercado de trabalho é um dos principais indicadores que o Fed leva em conta para decidir pela manutenção da taxa básica de juros, hoje perto de zero. Após o Produto Interno Bruto (PIB) do país ter se mostrado anêmico nos três primeiros meses do ano, os analistas revisaram a projeção da data em que o aperto monetário será anunciado – de junho para setembro.

No Brasil, a política monetária também estará no radar. Após o Banco Central ter aumentado a Selic em 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano, e deixado a “porta aberta” para mais uma alta em junho, o mercado aguarda a divulgação da Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a ser divulgada na quinta-feira. O documento deve trazer pistas sobre o tamanho do ajuste a ser realizado e também do possível encerramento do ciclo de aperto monetário, que começou em outubro do ano passado, logo após as eleições.

Ainda na agenda doméstica, a inflação de abril, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), será divulgada na sexta-feira. De acordo com a consultoria LCA, o indicador deve acelerar 0,79% e acumular alta de 8,26% nos últimos 12 meses – acima do teto da meta, de 6,5%.

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