Especialistas avaliam a necessidade de uma rotina maior de manutenção nos edifícios

Após desabamento de placas de mármore da varanda de um apartamento de um edifício no Leblon, dúvidas sobre conservação de edificações são levantadas

Por Marina Cardoso

Queda de pedaços da fachada de uma varanda cai sobre pessoas que passavam na calçada. O local fica na rua João Lira, 28 no quinto andar no bairro Leblon. Foto: Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Queda de pedaços da fachada de uma varanda cai sobre pessoas que passavam na calçada. O local fica na rua João Lira, 28 no quinto andar no bairro Leblon. Foto: Daniel Castelo Branco / Agência O Dia -

Rio - O desabamento de placas de mármore da varanda de um apartamento de um edifício no Leblon, na Zona Sul do Rio, que atingiu a jovem Larissa Spezani, de 20 anos, levantou questões sobre a conservação de edificações na cidade. Os especialistas são unânimes em dizer que a falta de uma rotina de manutenção traz à tona acidentes como o do último dia 7. 

Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado do Rio de Janeiro (CAU-RJ), Jeferson Salazar, o tempo estipulado de autovistoria predial em alguns casos é extremamente prolongado. “Há prédios muito antigos no Rio, nos quais a inspeção de cinco em cinco anos é muito tempo. Eles não podem se equivaler a edificações novas, que têm materiais mais recentes”, explica. 

Ainda de acordo com o presidente do CAU-RJ, há uma enorme falta de esclarecimento para os  administradores dos imóveis sobre as questões de preservação e, principalmente, a falta de fiscalização. “Falta um controle maior do poder executivo e também informação e mais orientação aos síndicos”, explica.

Segundo Jorge Mattos, coordenador da comissão de prevenção de acidentes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-RJ), há também a falta de uma manutenção preventiva e cuidado vindo dos síndicos e administradoras.

“Faço uma analogia com um check-up médico. Normalmente se faz anualmente, mas se você não continuar cuidando mês a mês, de nada vai adiantar a ida ao médico. Assim vale para o edifício, entre os períodos da autovistoria é necessário um cuidado periódico, que vire uma cultura durante o intervalo da inspeção”, explica.

Para Mattos, uma proposta é estabelecer um período de vistoria menor nos imóveis próximos de praias. “Uma ideia a se discutida é a questão das edificações perto das praias, como o caso do Leblon, em função da alta salinidade, já que as unidades sofrem com isso”, afirma.

Comentários