Mortalidade por Covid-19 em Macaé-RJ: análise das 10 semanas iniciais    

 - Rui Porto Filho/Secom PMM
Mortalidade por Covid-19 em Macaé-RJ: análise das 10 semanas iniciais Rui Porto Filho/Secom PMM
Por O Dia
Macaé - Pesquisadores da UFRJ-Macaé analisam os óbitos ocorridos pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) em Macaé. Foram 78 falecimentos no período estudado, desde o primeiro caso até 20 de junho, totalizando dez semanas. Os autores sugerem que o pico da mortalidade pode ter ocorrido na 24ª semana epidemiológica, entre 7 e 13 de junho, mas que será preciso aguardar os dados das próximas semanas, após a reabertura de várias atividades comerciais, para reavaliar essa hipótese.

Segundo a Dra. Karla Coelho, médica e epidemiologista, coautora do trabalho e uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho Multidisciplinar para Enfrentamento da Covid-19, “Infelizmente, a morte é o desfecho mais duro e a análise do perfil de mortalidade, dos óbitos, é fundamental para a compreensão da pandemia. Precisamos pensar em ações para salvar o maior número de vidas”.

Um achado impactante do trabalho foi a forte dependência da taxa de mortalidade com a idade. “Fiquei alarmado com letalidade desproporcional da doença nos idosos, mesmo já esperando algo assim. Eles realmente precisam ser muito protegidos da infecção”, afirma o prof. Antonio Guimarães, outro autor da Nota Técnica.
O trabalho também encontrou que a letalidade (proporção entre o número de mortes por uma doença e o número total de doentes) por Covid-19 em Macaé é maior entre homens do que entre mulheres, mesmo a população feminina sendo mais idosa na média que a masculina no município. O motivo, se os homens são mais expostos ao contágio ou mais susceptíveis ao desenvolvimento e agravamento da infecção, ainda precisa ser estudado.

O Grupo de Trabalho para Enfrentamento Covid-19 (UFRJ-Macaé) realiza um trabalho multidisciplinar com participação de mais de 100 docentes, técnicos e alunos da UFRJ-Macaé e outras instituições da região, e desenvolve análises que acompanham o comportamento da pandemia no Norte Fluminense e Baixada Litorânea. Este grupo também tem dialogado com os municípios dessas regiões ofertando apoio técnico e científico para o enfrentamento da pandemia.