Pais e profissionais da educação também fizeram oposição ao retorno das aulas neste momento - Arquivo/Secom PMM
Pais e profissionais da educação também fizeram oposição ao retorno das aulas neste momentoArquivo/Secom PMM
Por O Dia
Macaé - A audiência pública realizada na noite desta segunda-feira (20) reuniu representantes da Secretaria de Educação de Macaé (Semed), gestores escolares, profissionais da educação, pais, sindicatos e outros envolvidos no retorno às atividades escolares. O evento foi proposto e presidido pelo vereador Guto Garcia (PDT).

O debate trouxe à tona a complexidade da decisão sobre quando e em que condições se dará a volta às aulas na rede pública e privada do município. Ainda sem consenso ou protocolo de segurança, a maioria dos participantes se manifestou contrária à retomada do trabalho presencial este ano.

Guto explicou que o objetivo da audiência, que aconteceu em ambiente virtual, não era decidir sobre o retorno das aulas. “Chamamos os envolvidos neste debate para ouvi-los e, assim, produzirmos um relatório que poderá ajudar o prefeito a tomar essa decisão sobre quando e em que condições as escolas reabrirão em Macaé”.

Poder público

A superintendente de Educação Infantil, Mariana Duarte, e a de Ensino Fundamental e Médio, Balade Aref, falaram sobre os esforços da Semed, desde o início da pandemia, em migrar as aulas para plataformas online, evitando a defasagem, a perda de vínculo afetivo e o retrocesso cognitivo dos alunos. No entanto, elas admitiram que muitos ainda não têm acesso aos conteúdos e propostas em ambientes virtuais.

“Criamos o blog ‘Educação Não Para’ e estimulamos o uso de outras ferramentas para manter um contato mais direto com pais e alunos, mas o desafio é enorme, já que muitos não possuem computador ou não conseguem acessar plenamente a internet”, lamentou Mariana.

Balade informou que para essas famílias estão sendo entregues materiais impressos, mas sabe que não é o ideal, pois a educação precisa ser oferecida com equidade.

A coordenadora de Educação Inclusiva, Janaína Pinheiro, demonstrou preocupação no atendimento das crianças menores e deficientes. “As necessidades especiais delas dificultam a implementação de algumas ações de segurança, como por exemplo, a não interação física, o uso de máscaras e o respeito à distância mínima entre os alunos”. Ela afirmou que não quer a exposição desse público que já é vulnerável, mas também não pode excluí-los do acesso à educação nas escolas.

Márcio Magini, responsável pela Bolsa Alimentação, oferecida a mais de 40 mil estudantes da rede municipal, garantiu que, caso as aulas permaneçam suspensas em Macaé, o benefício será mantido. “A intenção do prefeito é continuar assistindo às famílias beneficiadas enquanto durar a suspensão das aulas”, esclareceu.

De acordo com informações da Semed, um comitê com diversos representantes da sociedade civil foi formado para elaborar um protocolo de retomada segura das atividades. Contudo, é a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) quem deve definir a data do retorno.
Mais de 1 mil internautas acompanharam a transmissão do debate no canal TV Câmara, no YouTube - Reprodução
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Participação dos cidadãos

Mais de 10 mil internautas acompanharam a transmissão do debate no canal TV Câmara, no YouTube. No entanto, muitas perguntas do público, enviadas pela rede social, permanecem sem respostas. Ainda não se sabe como será viabilizado o transporte escolar sem aglomeração; a organização das salas de aulas com redução de alunos por turma, já que não há professores suficientes para atender essa demanda; ou como serão garantidos os cuidados com limpeza diária e desinfecção dos espaços e materiais didáticos sem contingente de pessoal.

Outras dúvidas levantadas foram como será feito o acolhimento dos servidores; o fornecimento de apoio psicológico aos que estão adoecendo em função das exigências e pressões do momento em que vivemos; de quem será a responsabilidade se tais ações resultarem em mortes. Até o momento as perguntas seguem sem uma explicação.

Sociedade Civil

O Sindicato Estadual dos Professores do Estado do Rio de Janeiro (Sepe) se posicionou contrário à volta às aulas e à realização das atividades online, devido à exclusão digital que agrava ainda mais a desigualdade entre os estudantes. A posição manifestada pela entidade é que se o prefeito optar pelo retorno, será convocada greve por falta de segurança para a atuação dos profissionais.

Pais e profissionais da educação também fizeram oposição ao retorno neste momento, por falta de condições de segurança e estrutura adequada. O mesmo alerta foi feito pela diretora do Sindicato dos Professores de Macaé e Região (Sinpro), Guilhermina da Rocha, que voltou ao tema do adoecimento dos docentes – já mencionado na audiência – devido à constante exigência de adaptação e reinvenção das práticas da categoria durante a pandemia.