Policiais de Liège participam de cerimônia de tributo às vítimas de terrorismo, nesta quarta-feiraAFP
Por AFP
Publicado 30/05/2018 09:33

Bruxelas - Investigadores privilegiavam nesta quarta-feira a hipótese terrorista após o ataque que fez três mortos na terça-feira em Liège, incluindo duas policiais, e suspeitam que o autor, morto pela polícia, já tivesse matado um homem na noite anterior ao massacre. A investigação tenta esclarecer o percurso de Benjamin Herman, um delinquente de 31 anos que teria se radicalizado. Herman foi morto na manhã de terça-feira pela polícia depois de fazer uma refém.

"Os atos estão classificados como assassinato terrorista e tentativa de assassinato terrorista", afirmou Wenke Roggen, porta-voz do Ministério Público, organismo responsável por investigar caso terrorismo.

"Os primeiros elementos da investigação apontam para um 'modus operandi' similar aos apelos do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que em seus vídeos de propaganda pede ataques contra policiais com uma faca para a tomada de suas armas, como aconteceu em Liège", disse a porta-voz.

O autor do ataque, identificado pelo MP como Benjamin H., um belga nascido em 1987, "gritou em várias ocasiões 'Allahu Akbar'" (Alá é grande) e "esteve em contato com pessoas radicalizadas" em 2016 e no início de 2017.

A Procuradoria Federal examina agora se o criminoso atuou sozinho e busca "determinar se as suas motivações eram ou não terroristas", afirmou Roggen.

"Registramos sinais de que ele se radicalizou na prisão, mas será que foi esta radicalização que o levou a estas ações? Há muitas questões a serem respondidas e vamos aguardar o resultado da investigação", havia declarado pouco antes o ministro belga do Interior, Jan Jambon.

O MP explicou que o autor do ataque era fichado pela Justiça desde que era menor de idade e que já havia sido condenado por roubo com violência e consumo de entorpecentes, entre outros crimes comuns.

Ontem, policiais de Liège participam de uma cerimônia de tributo às vítimas do um tiroteio.

Homicídio antes de ataque 

Benjamin "também é suspeito de um assassinato cometido em On" na segunda-feira à noite, poucas horas depois de sair da prisão de Marche-en Famenne (sul) com uma permissão penitenciária que expirava às 19H30 de terça-feira.

"As circunstâncias exatas dos fatos são objeto de uma investigação distinta", completou a porta-voz da Procuradoria belga. De acordo com a imprensa local, o falecido era um viciado em drogas e foi vítima de marteladas.

Após o triplo homicídio, Benjamin Herman, nascido em janeiro de 1987, fez uma funcionária de um grupo escolar refém, levando à evacuação dos estudantes, segundo as autoridades. Nenhuma criança foi ferida.

"Fiquei impressionado com a conversa que ela teve com o terrorista", disse Jambon na quarta-feira sobre a funcionária sequestrada. "Ela foi muito corajosa e talvez tenha evitado mais vítimas na escola", disse ele à rádio Bel-RTL.

Em um vídeo amador que a AFP obteve é possível ouvir claramente o agressor gritar "Allah Akbar" enquanto caminhava pela rua.

Por volta das 10h30 (5h30 de Brasília) de terça-feira em uma das principais ruas do centro de Liège, o atacante esfaqueou as duas policiais pelas costas, antes de pegar suas armas e executá-las.

Ele então matou uma terceira pessoa, atirando em um estudante de 22 anos em um carro estacionado nas proximidades.

Na prisão, ele cumpria uma série de sentenças curtas combinadas e seria libertado em 2020, segundo indicou nesta quarta-feira o ministro da Justiça da Bélgica, Koen Geens. Os serviços penitenciários consideraram que "ele não representava perigo terrorista", acrescentou.

A Bélgica, atingida por ataques jihadistas que deixaram 32 mortos em 22 de março de 2016, já foi alvo de vários atentados contra soldados ou policiais.

Consultado na terça-feira, o Ocam, o órgão responsável por avaliar a ameaça terrorista na Bélgica, decidiu manter inalterado no nível 2 correspondente a uma ameaça considerada "improvável".

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