Sobe para 264 número de mortos em protestos na Nicarágua

Oposição intensificará a partir de quinta-feira a pressão contra Ortega com uma manifestação e uma greve geral

Por AFP

Opositores cercam a Basílica de São Sebastião, em Diriamba, na Nicarágua
Opositores cercam a Basílica de São Sebastião, em Diriamba, na Nicarágua -

Washington - A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) elevou a 264 o número de mortes registradas na Nicarágua no contexto dos protestos contra o governo de Daniel Ortega, iniciadas em 18 de abril.

Conforme o registro da CIDH desde o início da repressão do governo aos protestos sociais, 264 pessoas perderam a vida e mais de 1,8 mil ficaram feridas, indicou o secretário Executivo da CIDH, Paulo Abrao, ao informar o conselho permanente da OEA sobre a situação na Nicarágua.

A oposição nicaraguense intensificará a partir de quinta-feira a pressão contra Ortega com uma manifestação e uma greve geral. O governo, em resposta, prepara sua marcha de comemoração revolucionará até Masaya, cidade mais rebelde do país.

Policiais estão posicionados na entrada de Masaya, a 35 quilômetros ao sul de Manágua, temendo uma violenta incursão antes que o governo celebre a "rendição", uma caravana liderada por Ortega, que anualmente vai a essa cidade para recordar um gesto da revolução de 1979.

"Estamos à espera de se o regime virá nos atacar. Querem nos intimidar, mas Monimbó está resistindo e está firme e forte para se proteger e lutar", disse à AFP Wilfredo, transportador de 25 anos, perto de uma barricada.

'Esperamos por eles' 

Nas últimas semanas o governo intensificou a chamada "operação limpeza" de forças conjuntas para derrubar as barricadas colocadas pelos manifestantes nas ruas.

O dirigente da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH) de Masaya, Danilo Martínez, denunciou que a cidade "está cercada por uma força de mil paramilitares, policiais e armamento pesado".

A opositora Aliança Cívica pela Justiça e Democracia convocou a marcha "Juntos somos um vulcão" para quinta e uma greve nacional para sexta-feira, a segunda durante a crise.

"Queremos pedir à Nicarágua e fazer um apelo para garantir protestos e manifestações pacíficas, bem como a segurança e integridade de todas as pessoas", disse o secretário executivo da CIDH, Paulo Abrao, diante do conselho permanente da OEA sobre a situação na Nicarágua.

O chanceler nicaraguense, Denis Moncada, descreveu o relatório da CIDH como "preconceituoso e desprovido de objetividade".

"Não se pode confundir um protesto pacífico com atos terroristas", sustentou Moncada.

A ANPDH exigiu nesta quarta-feira que o Exército investigue denúncias de uso de armas de grosso calibre por parte das forças pró-governo para reprimir os protestos.

Existem "evidências de denúncias das pessoas de uso de armas de guerra de grosso calibre e de granadas de demolição de uso exclusivo do Exército nas cidades de La Trinidad, León, Sutiaba e Carazo", disse o secretário da ANPDH, Alvaro Leiva, em entrevista coletiva.

O Exército da Nicarágua afirmou na terça-feira que tem o "controle absoluto" de seu arsenal e negou qualquer envolvimento em atos de repressão a manifestantes.

Grupos de direitos humanos e opositores, entre os quais há militares reformados, denunciaram a suposta presença de membros do Exército nos grupos armados ilegais que atuam com a polícia na operação limpeza.

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