Presidente americano, Donald Trump, criminalizou os imigrantes e os tratou como um caso de 'emergência nacional' - ALFREDO ESTRELLA / AFP
Presidente americano, Donald Trump, criminalizou os imigrantes e os tratou como um caso de 'emergência nacional'ALFREDO ESTRELLA / AFP
Por AFP

Washington - O governo do presidente americano, Donald Trump, vai restringir fortemente as condições para se pedir refúgio nos Estados Unidos, proibindo a solicitação de pessoas que tenham entrado ilegalmente no país através da fronteira com o México.

"Nosso sistema de refúgio está sobrecarregado com excessivos pedidos injustificados de estrangeiros, que representam uma tremenda carga para nossos recursos", destacou o Departamento de Segurança Nacional (DHS).

Concretamente, os imigrantes que não entrarem nos Estados Unidos por um ponto autorizado não terão mais direito a pedir refúgio.

Este novo regulamento foi publicado pelo DHS e espera-se que o decreto seja assinado em breve por Trump.

Segundo a nova diretriz, Trump poderá restringir a imigração ilegal "caso considere que isso está em consonância com o interesse nacional".

"O regulamento de hoje aplica este importante princípio aos estrangeiros que violam restrições na fronteira sul", destacaram em um comunicado conjunto a secretária do departamento de Segurança Nacional, Kirstjen Nielsen, e o novo procurador-geral, Matthew Whitaker.

O governo Trump afirma que tem a autoridade executiva para controlar a imigração no interesse da segurança nacional, um poder que invocou logo após assumir a presidência, quando firmou um polêmico decreto que proibia a entrada nos EUA de cidadãos de vários países de maioria muçulmana.

O decreto circulou por quase todo o sistema judicial americano e uma versão modificada foi finalmente validada no dia 26 de junho passado, pela Suprema Corte.

O texto final, que foi modificado três vezes no caminho, fechava a fronteira aos cidadãos de Iêmen, Síria, Líbia, Irã, Somália e Coreia do Norte, além de alguns funcionários da Venezuela, sob a alegação de falta de segurança e falta de cooperação com as autoridades dos Estados Unidos.

Trump tem qualificado de "invasão" a caravana de migrantes centro-americanos que se aproxima dos Estados Unidos pelo México e durante a campanha para as eleições de meio de mandato ameaçou fechar a fronteira sul e enviou milhares de militares para protegê-la.

A organização de defesa dos direitos humanos ACLU declarou que o direito de asilo deve ser concedido a qualquer pessoa que entre no país, sem importar como.

"A Lei americana permite especificamente aos indivíduos que peçam refúgio sem importar se estão ou não no ponto de entrada e é ilegal modificar isto mediante uma agência ou um decreto presidencial", destacou a ACLU.

Caravana retoma marcha

A caravana de imigrantes da América Central concordou, na noite de quinta-feira, em retomar a marcha a pé para o norte depois de passar quase uma semana na Cidade do México à espera de conseguir ônibus para o transporte.

Em uma assembleia realizada em um centro esportivo na capital mexicana, onde o gabinete do prefeito montou um abrigo, os participantes - a maioria homens - votaram para viajar para o estado central de Querétaro, na fronteira com os Estados Unidos.

Segundo a prefeitura, no abrigo estão mais de 5.500 imigrantes, em sua maioria hondurenhos, que saíram de seu país em 13 de outubro e que já percorreram mais de 1.500 km, grande parte a pé.

Alguns se manifestaram na quinta-feira ante o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) na Cidade do México para exigir que obtivessem para eles 150 ônibus, mas a demanda ficou sem resposta.

Os migrantes subiram em veículos, principalmente de carga, em alguns trechos de sua jornada. Depois que um hondurenho morreu ao cair de um dos caminhões no estado de Chiapas, porém, a Polícia Federal que acompanha a caravana resolveu impedir que viajassem nessas condições perigosas.

Na assembleia, também se discutiu a rota que deve ser tomada. A escolhida foi a rota para a fronteira de Tijuana, a 2.800 km da Cidade do México, no extremo noroeste do país. É o caminho mais longo, porém o mais seguro.

Os migrantes que viajam nesta caravana, seguida por mais duas com cerca de 2.000 pessoas cada, estão determinados a chegar aos Estados Unidos, apesar dos avisos do presidente Donald Trump de que serão impedidos de entrar.

Cerca de 4.800 militares americanos foram posicionados na fronteira com o México.

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