Primeira-ministra britânica enfrenta voto de desconfiança do próprio partido

Theresa May enfrentará nesta quarta-feira uma moção de censura apresentada por deputados rebeldes de seu próprio Partido Conservador, determinados a afastá-la do poder e da negociação com Bruxelas sobre a saída do Reino Unido da União Europeia

Por AFP

Primeira-ministra britânica, Theresa May, deixa discurso depois de fazer um pronunciamento no centro de Londres, após membros de seu Partido Conservador acionaram um voto de desconfiança sobre sua liderança
Primeira-ministra britânica, Theresa May, deixa discurso depois de fazer um pronunciamento no centro de Londres, após membros de seu Partido Conservador acionaram um voto de desconfiança sobre sua liderança -

Londres - A primeira-ministra britânica Theresa May enfrentará nesta quarta-feira uma moção de censura apresentada por deputados rebeldes de seu próprio Partido Conservador, determinados a afastá-la do poder e da negociação com Bruxelas, em um novo obstáculo político provocado pelo processo de saída do Reino Unido da União Europeia, denominado Brexit.

"Lutarei contra esta votação com tudo que tenho", disse May em uma breve declaração à imprensa, pouco depois do anúncio da votação.

"Estou firmemente decidida a terminar o trabalho", completou, um dia depois de viajar a várias capitais europeias em busca garantias que permitissem a sobrevivência de seu polêmico acordo do Brexit.

Para organizar um desafio de liderança à chefe de Governo e líder do partido era necessário que 15% dos deputados de seu partido, ou seja 48, apresentassem um pedido neste sentido ao Comitê 1922, responsável pela organização interna dos 'tories'.

Um grupo de rebeldes eurocéticos, irritados com o acordo do Brexit que May negociou com Bruxelas por considerar que o texto faz concessões inaceitáveis à União Europeia, tentava reunir este número há algum tempo.

E eles finalmente conseguiram depois que a primeira-ministra cancelou na última hora, na segunda-feira, a votação sobre o texto que estava prevista para terça-feira 11 de dezembro no Parlamento e que deveria ratificar ou rejeitar o documento de 585 páginas acordado com os líderes de outros 27 países europeus.

A estratégia arriscada, uma tentativa desesperada de salvar um acordo que estava condenado ao fracasso, provocou a revolta dos deputados britânicos, incluindo os parlamentares que desejavam votar contra o texto, fruto de 17 meses de duras negociações com Bruxelas, que desagrada tanto os eurocéticos como os pró-europeus.

Para prosperar, a moção de censura precisa do apoio de pelo menos metade mais um dos 315 deputados conservadores, ou seja 158.

A votação acontecerá entre 18h e 20h (16h e 18h de Brasília), anunciou Graham Brady, presidente do Comitê 1922 do Partido Conservador na Câmara dos Comuns.

"Os votos serão apurados imediatamente e o resultado será anunciado o mais rápido possível durante a noite", afirmou Brady.

Logo após o anúncio da notícia, vários integrantes do governo expressaram apoio a May no Twitter.

"O cargo de primeiro-ministro é o mais difícil que se pode imaginar neste momento e a última coisa que o país precisa é uma longa e dura disputa pela liderança", tuitou o ministro das Relações Exteriores, Jeremy Hunt.

O ministro do Interior, Sajid Javid, afirmou que Theresa May "é a melhor pessoa para conseguir que deixemos a União Europeia em 29 de março".

Em sua breve declaração à imprensa, a primeira-ministra ressaltou que este é o pior momento para criar divisão e incerteza no partido e no país.

Ela disse que um novo líder não teria tempo para renegociar o acordo do Brexit nem para os preparativos antes de 29 de março, o que significaria um "atrasou ou até anulação do Brexit".

"Nada disso seria do interesse nacional", destacou.

Após o referendo de junho de 2016, no qual 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit, o Reino Unido deve sair do bloco em 29 de março. Caso não ratifique o texto negociado com Bruxelas, a retirada deve acontecer sem acordo, o que teria consequências catastróficas para a economia britânica.

Alguns partidários da permanência no bloco têm, no entanto, a esperança de que a rejeição do Parlamento ao acordo provoque um segundo referendo que inclua a possibilidade de anular todo o processo.

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