Rio - O Vaticano divulgou ontem a mensagem do Papa Francisco para o 52º Dia Mundial da Paz, que acontece no dia 1º de janeiro, e o pontífice aproveitou a oportunidade para denunciar o atual "clima de desconfiança" alimentado por discursos nacionalistas contra estrangeiros e migrantes.
Na mensagem, Francisco alerta que "vivemos, nesses tempos, em um clima de desconfiança que está enraizado no medo do outro ou do diferente, na ansiedade de perder benefícios pessoais e, lamentavelmente, se manifesta também a nível político, com atitudes de fechamento ou nacionalismos que questionam a fraternidade que nosso mundo globalizado tanto precisa".
O papa ressaltou o papel das guerras civis, que são um dos fatores que fazem muitas pessoas deixarem seus países. "O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras em busca de uma terra de paz". Para ele, um olhar negativo sobre a situação contribui para "o aumento da intimidação e a proliferação incontrolável das armas, que são contrários à moral e à busca de uma verdadeira concórdia", e destaca que, além da xenofobia, a corrupção, a negação do direito, a justificativa do poder pela força, o racismo e a rejeição ao cuidado da Terra são "vícios da política" que afetam o "ideal de uma democracia autêntica".
ABUSOS SEXUAIS
No mesmo dia em que a mensagem foi divulgada, o Vaticano orientou bispos da Igreja Católica, por meio de uma outra carta, a assumirem a responsabilidade por escândalos de abuso sexual, envolvendo sacerdotes. A carta, que conta com orientações de especialistas no assunto, aponta que autoridades clericais devem conversar pessoalmente com as vítimas e prestar solidariedade com sensibilidade, visando, também, o fortalecimento da credibilidade da Igreja em todo o mundo.
A carta foi enviada como uma convocação do Pontífice, para cerca de 110 chefes de conferências nacionais, dezenas de líderes de ordens religiosas, além de especialistas em abusos sexuais para uma reunião extraordinária, que acontecerá entre os dias 21 e 24 de fevereiro, no Vaticano.
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