Depois de sobreviver por pouco a uma moção de confiança, Theresa May demonstrou disposição para buscar consenso político e se reuniu com líderes da oposição
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Depois de sobreviver por pouco a uma moção de confiança, Theresa May demonstrou disposição para buscar consenso político e se reuniu com líderes da oposição AFP PHOTO / PRU
Por AFP

Londres - A primeira-ministra britânica, Theresa May, tentará convencer os deputados sobre seu "plano B" para o Brexit, quase uma semana após a rejeição maciça do acordo de divórcio que ela havia negociado com a União Europeia (UE).

Dez semanas antes da planejada saída da UE, em 29 de março, a líder conservadora deve encontrar uma maneira de impedir que o Reino Unido deixe o bloco sem um acordo, sinônimo de riscos de escassez, enormes engarrafamentos nos portos e colapso da libra.

Mas seu "plano B", que deve ser detalhado a partir das 15h30 (13h30 no horário de Brasília), pode decepcionar, uma vez que, segundo a imprensa britânica, é muito parecido com o acordo original.

Em uma teleconferência com seus ministros no domingo à noite, May disse que, apesar da rejeição categórica de Bruxelas, ainda estava tentando convencer a UE a desistir de uma disposição destinada a evitar o restabelecimento de uma fronteira dura entre a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte.

Esta medida de segurança, que entrará em vigor apenas se não for encontrada outra solução após um período transitório, prevê uma união aduaneira entre Reino Unido e UE, com, além disso, para a Irlanda do Norte, um alinhamento com determinados regulamentos e impostos sanitários europeus.

Reunidos nesta segunda em Bruxelas, vários ministros das Relações Exteriores europeus alertaram, mais uma vez, que o acordo alcançado não era renegociável.

"Não acho que ela será capaz de convencer os deputados apresentando a mesma coisa com pequenas modificações", declarou o ministro espanhol das Relações Exteriores, Josep Borrell.

Para ter sucesso, deve apresentar "algo substancialmente diferente", que deve, no entanto, obter o posterior endosso da UE, acrescentou.

Perguntado se aceitaria modificar o acordo negociado, o eslovaco Miroslav Lajcak disse: "Por que? Você quer que a UE seja um perdedor maior do que o Reino Unido?".

Em Dublin, o ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney, repetiu no domingo que seu país está "absolutamente" comprometido com todo o tratado.

A explosão de um carro-bomba no sábado em Londonderry, na Irlanda do Norte, atribuída pela polícia ao grupo republicano dissidente "Novo IRA", reacendeu as preocupações com as ameaças representadas pelo retorno de uma fronteira para a paz concluída em 1998 após três décadas de conflito sangrento.

"É importante que não haja decisão que leve a uma fronteira dura (...) porque, como vimos neste fim de semana, estamos com os nervos à flor da pele", estimou o chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas.

"Tsunami político"

Diante do que denunciam como "intransigência" de May, vários grupos de deputados planejam tentar contornar o governo, apresentando emendas a seu "plano B" para evitar um "no deal", ou adiar a data de saída, antes de uma votação em 29 de janeiro, a apenas dois meses do Brexit.

Depois de sobreviver por pouco a uma moção de confiança na quarta-feira, May demonstrou disposição para buscar consenso político e se reuniu com líderes da oposição, assim como muitos membros de sua legenda e líderes do partido unionista norte-irlandês DUP, seu aliado no Parlamento. A iniciativa fracassou.

Pelo menos dois grupos de deputados transpartidários planejam propor emendas para tentar assumir o controle da questão. Um deles quer impedir o cenário de uma saída sem acordo, enquanto o segundo visa a suspender o processo de saída da UE.

Downing Street chamou esses projetos de "extremamente perturbadores". O ministro britânico do Comércio Exterior, Liam Fox, alertou para o risco de um "tsunami político", se os parlamentares não respeitarem o resultado do referendo de junho de 2016.

 

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