Itália permite desembarque de imigrantes após acordo entre sete países europeus

Salvini havia sido contra a decisão, mas a Sea-Watch apresentou um recurso urgente ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos contra a Itália

Por AFP

Sea-Watch 3 estava desde sexta-feira em frente ao porto siciliano de Siracusa para se proteger do mau tempo
Sea-Watch 3 estava desde sexta-feira em frente ao porto siciliano de Siracusa para se proteger do mau tempo -

Roma - Roma anunciou nesta quarta-feira um acordo com outros seis países europeus para dividir os 47 imigrantes de um barco da ONG Sea-Watch, que recebeu a ordem de desembarcar em Catânia, no leste da ilha da Sicília.

O "Sea-Watch 3", que estava desde sexta-feira em frente ao porto siciliano de Siracusa para se proteger do mau tempo, "recebeu instruções de se dirigir ao porto de Catânia", localizado a 70 quilômetros mais ao norte, anunciou uma fonte ministerial no fim da tarde.

A comunicação oficial chegou pouco antes das 19h00 locais (16h00 de Brasília) para a tripulação, que precisará de duas horas para ligar as máquinas e de mais três ou quatro para atracar em Catânia, segundo um fotógrafo a bordo, contactado pela AFP.

"O desembarque começará nas próximas horas", havia dito no meio do dia o primeiro-ministro Giuseppe Conte à imprensa, depois de anunciar que "Luxemburgo aderiu à lista de países amigos que responderam ao nosso convite".

Os sete países que receberão os resgatados do mar Mediterrâneo em 19 de janeiro são: Itália, França, Alemanha, Portugal, Malta, Romênia e Luxemburgo, segundo a mídia italiana.

Como aconteceu com o desembarque do mesmo navio no início de janeiro em Malta, é provável que o navio permaneça ancorado e confie os migrantes aos representantes das autoridades.

"Estamos felizes que esta tomada de reféns europeia tenha acabado", disse à AFP Ruben Neugebauer, porta-voz da Sea-Watch. "Ao mesmo tempo, é um dia ruim para a Europa porque os direitos humanos ficaram atrás das negociações dentro da UE (...) Outro dia amargo", acrescentou.

O ministro do Interior, Matteo Salvini (extrema direita), havia assegurou que só permitiria o desembarque dos imigrantes se fossem para a Alemanha - país da ONG - ou para Holanda - bandeira do navio.

Devido à postura de Salvini, a Sea-Watch apresentou um recurso urgente ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos contra a Itália por se recusar a permitir que os imigrantes chegassem ao porto.

Este tribunal pediu na terça-feira que o governo italiano tomasse "todas as medidas necessárias, o mais rápido possível", para fornecer alimentos, água e atendimento médico a todos os passageiros.

 

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