Confrontos ocorreram no sul da Índia, quando os radicais hindus se enfureceram, buscando impor uma greve geral em protesto contra duas mulheres que entravam em um dos templos mais sagrados do país (STR / AFP)Reprodução/ AFP
Por AFP
Publicado 03/01/2019 12:11 | Atualizado 03/01/2019 12:15

Índia - Uma pessoa morreu e ao menos 15 ficaram feridas nos confrontos registrados no estado de Kerala, sul da Índia, depois que duas mulheres entraram em um templo hindu desafiando os mais tradicionalistas, anunciou a polícia local nesta quinta-feira.

Os enfrentamentos explodiram depois que as duas mulheres entraram escondidas e sob proteção policial no santuário hindu de Sabarimala, onde as mulheres com idades entre 10 e 50 anos - consideradas impuras por menstruar - têm a entrada proibida.

As duas mulheres desafiaram os tradicionalistas ao entrarem, pela primeira vez, em um dos templos mais sagrados do Hinduísmo após uma decisão tomada pela Suprema Corte.

A polícia usou gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e jatos de água quando protestos e confrontos entre grupos rivais começaram no estado de Kerala, no sul do país.

A polícia indiana prende os partidários do Partido do Congresso durante manifestações generalizadas sobre duas mulheres que entram no templo Sabarimala Ayyapa, em Kochi (STR / AFP)Reprodução/ AFP

Em setembro, a Suprema Corte revogou a proibição de décadas de que mulheres em idade fértil entrassem no templo banhado a ouro de Sabarimala.

Nas últimas semanas, tradicionalistas hindus - apoiados pelo Partido Bharatiya Janata (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi - impediram as tentativas de acesso das mulheres ao local, algumas vezes violentamente.

Em uma operação surpresa na madrugada de quarta, anunciada por ativistas, mas que enfureceu os devotos conservadores, a polícia permitiu que duas mulheres entrassem no templo e, em seguida, saíssem sem serem vistas.

Os partidários indianos do Bharatiya Janata Party marcharam durante uma manifestação de protesto contra duas mulheres que entraram no templo Sabarimala Ayyapa, em Koch (STR / AFP)Reprodução/ AFP

Imagens de vídeo mostraram as mulheres de 42 anos, Kanaka Durga e Bindu, que tem apenas um nome, usando túnicas pretas e com as cabeças abaixadas enquanto corriam para dentro.

Assim que a notícia se espalhou, o líder espiritual do templo ordenou que este fosse fechado para um ritual de purificação. O santuário foi reaberto cerca de uma hora depois.

Líderes locais do BJP anunciaram dois dias de protestos em Kerala contra a violação. O estado é governado por uma aliança de partidos de esquerda.

O veredicto de setembro foi a mais recente decisão progressista do tribunal, apresentando um desafio para o tradicionalista BJP de Modi.

Devotos indianos hindus da divindade Ayyappa encenam um protesto contra o governo do estado de Kerala, sobre a entrada de duas mulheres no templo Sabarimala, em Bangalore (Manjunath Kiran/ AFP)Reprodução/ AFP

A restrição às mulheres em Sabarimala reflete uma crença - não exclusiva do Hinduísmo - de que mulheres em idade fértil, ou seja, que menstruam, são impuras.

Os tradicionalistas argumentam também que a divindade do templo, Ayyappa, era celibatária.

Desde setembro, data da decisão, as mulheres tentam entrar no templo, mas eram expulsas, às vezes violentamente, por devotos hindus. Por segurança, a polícia precisava escoltá-las.

Na terça-feira, milhares de mulheres formaram uma corrente humana em Kerala em apoio ao veredicto para que pudessem entrar no templo. Os jornais noticiaram que algumas foram atacadas por ativistas de direita.

A Suprema Corte deve começar a ouvir a contestação de sua decisão em 22 de janeiro.

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