Anistia Internacional pede a Maduro que aceite ajuda para Venezuela

Pedido de ajuda humanitária no país foi solicitada pelo opositor Juan Guaidó, reconhecido por 50 nações como presidente interino da Venezuela

Por AFP

Anistia Internacional pede a Maduro que aceite ajuda para Venezuela
Anistia Internacional pede a Maduro que aceite ajuda para Venezuela -

Venezuela - A Anistia Internacional pediu, nesta quarta-feira, que Nicolás Maduro reconheça a grave crise socioeconômica e que permita a entrada da ajuda humanitária no país solicitada pelo opositor Juan Guaidó, mas advertiu sobre o uso da assistência "como ferramenta de negociação política".

"Esperamos que as autoridades sob o comando de Nicolás Maduro não apenas reconheçam esta gravíssima crise (...) mas que também garantam a entrada da ajuda e que ela seja encaminhada às comunidades e pessoas mais necessitadas", disse Erika Guevara, diretora para as Américas da Anistia Internacional.

Um carregamento de alimentos e remédios doados pelos Estados Unidos está armazenado na Colômbia, enquanto outros países latino-americanos e europeus se comprometeram a destinar milhões de dólares em assistência, atendendo a um pedido de Guaidó, reconhecido por 50 nações como presidente interino da Venezuela.

Mas a ajuda humanitária está no meio de uma disputa política entre Guaidó e Maduro, que ordenou a proibição da assistência por considerar como um primeiro passo para uma intervenção militar para derrubá-lo.

"Os Estados têm a obrigação de prover esta cooperação internacional sem nenhuma condição e garantir que esta cooperação, esta assistência, chegue diretamente às mãos das pessoas em maior situação vulnerabilidade", disse Guevara aos países colaboradores.

"O sofrimento generalizado destas pessoas (que esperam a ajuda) não deve ser usado como uma ferramenta de negociação política", acrescentou a representante da entidade de defesa dos Direitos Humanos durante uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira.

A Venezuela nega a existência de uma crise humanitária e atribui a hiperinflação e a severa escassez de alimentos e remédios, que forçaram o exílio de 2,3 milhões de pessoas desde 2015, às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

Guevara indicou que a Anistia Internacional não acompanhará o plano de Guaidó para fazer entrar a ajuda humanitária neste sábado pelas porosas fronteiras com a Colômbia e Brasil.

Apesar disso, pediu que a coordenação da ajuda fique a cargo de entidades da sociedade civil "para garantir que esta assistência chegue às mãos das pessoas mais necessitadas sem ações políticas ou condições de entrega".

Comentários