Emissário da ONU adverte sobre uma "conflagração generalizada" na Líbia

Para Ghassan Salamé, "divisões internacionais existiam antes do ataque" e "estimularam" o marechal Haftar a partir para a conquista de Trípoli

Por AFP

Emissário da ONU Ghassan Salamé
Emissário da ONU Ghassan Salamé -

Na Líbia existe o risco de "uma conflagração generalizada", "estimulada" pelas divisões internacionais, advertiu nesta quinta-feira o emissário da ONU, Ghassan Salamé, durante uma entrevista concedida à AFP.

Salamé argumentou que "após os primeiros êxitos do Exército Nacional Líbio (ENL, do marechal Khalifa Haftar) há duas semanas, observamos um impasse militar".

Prova desta estagnação, o procurador-geral militar do Governo de Unidade Nacional (GNA) líbio emitiu uma ordem de prisão internacional contra Haftar, em resposta ao mandato emitido pelo ENL contra o chefe do GNA, Fayez Al Sarraj.

As divisões internacionais sobre o curso a seguir na Líbia estimularam o ENL, rival do governo de Trípoli, a lançar sua ofensiva, acrescentou o representante das Nações Unidas.

A pedido da presidência alemã, o Conselho de Segurança da ONU realiza nesta quinta-feira uma nova reunião a portas fechadas nesta quinta-feira para estudar "o caminho a seguir" na Líbia, após um projeto de resolução apresentado pelo Reino Unido exigindo um cessar fogo não ter alcançado o consenso.

Há "uma possibilidade de conflagração generalizada", declarou Salamé. Os países do Conselho de Segurança "devem ser muito mais ativos e estar muito mais unidos para conter uma conflagração generalizada", advertiu.

Para o emissário, "divisões internacionais existiam antes do ataque" e "estimularam" o marechal Haftar a partir para a conquista de Trípoli.

Para o enviado da ONU, há interesses externos econômicos neste país petroleiro.

"Há países que consideravam antes Haftar como um campeão da luta antiterrorista, e é verdade que Haftar foi muito ativo, segundo eles, conseguindo em Bengasi, Derna (leste), e mias recentemente no sul, neutralizar células terroristas. Não vão abandoná-lo agora apesar de não estarem de acordo com o ataque contra Trípoli", declarou, sem citar nenhum país.

Desde a queda do regime do ditador Muammar Khaddafi em 2011 após uma revolta popular, a Líbia está mergulhada no caos com numerosas milícias que impõem sua própria lei e uma luta pelo poder entre o GNA de Fayez al Sarraj, em Trípoli, e o ENL de Haftar, líder da parte leste do país.

O reinício das hostilidades entre os grupos pode levar o país a uma guerra civil. Há vários meses, o ENL, apesar de anunciar avanços, não se impõe no sul da capital e suas tropas mais avançadas estão a 12 e 50 km a leste de Trípoli.

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