Justiça francesa condena a 30 anos de prisão irmão de jihadista Mohamed Merah

O veredicto foi recebido em silêncio no tribunal, pontuado por lágrimas de gratidão das famílias das vítimas

Por AFP

Ilustração de Abdelkader Merah durante julgamento
Ilustração de Abdelkader Merah durante julgamento -

O Tribunal Penal de Paris condenou, nesta quinta-feira, em apelação, Abdelkader Merah a 30 anos de prisão e o considerou culpado, ao contrário da primeira instância, de "cumplicidade" nos sete assassinatos cometidos em março de 2012 por seu irmão Mohamed.

O veredicto foi recebido em silêncio no tribunal, pontuado por lágrimas de gratidão das famílias das vítimas. Abdelkader Merah, de 36 anos, mal curvou os ombros.

"Como podemos ser cúmplices na coisa mais abominável e receber 30 anos de prisão? Todos os profissionais do direito foram surpreendidos por este veredicto", reagiu o advogado do réu, Eric Dupond-Moretti, indicando que considera "um recurso em cassação".

Esta decisão, tomada após doze horas de deliberação, é uma grande vitória para a acusação, que não obteve a pena de prisão perpétua que requisitou, mas arrancou a "cumplicidade" nos crimes cometidos pelo jihadista.

A principal questão neste julgamento em apelação era determinar o papel exato desempenhado por Abdelkader Merah antes dos assassinatos cometidos por seu irmão, entre os dias 11 e 19 de março de 2012.

O tribunal considerou que ele foi culpado de roubar a scooter usada por seu irmão e que foi "cúmplice" nos crimes.

Os representantes do Ministério Público, que haviam apontado que os dois irmãos partilhavam o "espírito, o projeto e a ação", conseguiram dez anos a mais de prisão que na primeira instância.

O tribunal reduziu, no entanto, a pena do segundo acusado, Fattah Malki, de 36, condenando-o por associação criminosa, mas abandonando a qualificação terrorista: ele foi condenado a 10 anos de prisão por ter fornecido a arma e um colete à prova de balas para Mohamed Merah.

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