A jornalista britânica Carole Cadwalladr em sua palestra no TED: 'Deuses do Vale do Silício quebraram a democracia' - Reprodução
A jornalista britânica Carole Cadwalladr em sua palestra no TED: 'Deuses do Vale do Silício quebraram a democracia'Reprodução
Por O Dia

Carole Cadwalladr é uma jornalista investigativa britânica de 49 anos. Ela se notabilizou em 2018 ao revelar o escândalo Facebook-Cambridge Analytica, numa reportagem publicada no jornal The Observer. Nos últimos dias, o assunto voltou à tona depois que Carole acusou frontalmente os criadores do Google, Facebook e Twitter de "quebrarem a democracia" em uma palestra no TED, a principal conferência de tecnologia do mundo, em Vancouver.

Na última segunda-feira, a jornalista fez críticas incisivas aos "Deuses do Vale do Silício", enumerados em alto e bom som, durante a palestra "O papel do Facebook no Brexit - e a ameaça à democracia": Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg, fundadores do Facebook; Larry Page e Sergey Brin, criadores do Google; e Jack Dorsey, cofundador e CEO do Twitter.

O impacto da fala de Carole foi ainda maior porque Google e Facebook estão entre os patrocinadores do TED, a mais influente conferência de tecnologia do mundo. "A tecnologia que vocês criaram tem sido fantástica, mas agora é a cena de um crime. E vocês têm as provas", disse a jornalista, lembrando que Zuckerberg foi intimado pelo Parlamento Britânico para explicar o vazamento de dados de usuários para a empresa Cambridge Analytica, que teria influenciado no resultado do Brexit, referendo que determinou a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, em 2016.

"Não preciso dizer que o ódio e o medo estão sendo espalhados online por todo o mundo, não só nos EUA e na Inglaterra, mas na França, na Hungria, no Brasil, em Myanmar e na Nova Zelândia. Nós sabemos que existe essa maré sombria que está se propagando lentamente pelas plataformas tecnológicas", disse a jornalista.

"A nossa democracia está corrompida, as nossas leis já não funcionam. Não fui eu quem disse, foi o nosso parlamento, que publicou um relatório sobre isso", lembrou Carole. "O referendo do Brexit mostrou que a democracia liberal está corrompida. Foram vocês que a quebraram. Isto não é democracia, espalhar mentiras na escuridão, cheias de ódio, e financiadas com dinheiro ilegal, sabe Deus de onde. Isto é subversão, e vocês são cúmplices disso", acusou.

O único "gênio" do Vale do Silício a ter coragem de subir no palco do TED após a demolidora fala de Carole Cadwalladr foi Jack Dorsey, do Twitter. Depois de dizer que não é simples se livrar de nazistas no Twitter porque o nazismo é "difícil de definir", não ofereceu nenhuma saída para a dura questão exposta pela jornalista. O curador do TED, Chris Anderson, ofereceu o espaço da conferência para os donos das "titãs" da tecnologia se defenderem, mas nenhum deles se mostrou disposto a dar sua visão da questão.

Diante do ensurdecedor silêncio do Vale do Silício, a jornalista voltou a provocá-los neste domingo, em artigo publicado no jornal britânico "The Guardian". "Eu andei entre os deuses da tecnologia na semana passada. Não acho que eles se propuseram a permitir que massacres fossem transmitidos ao vivo. Ou uma fraude eleitoral maciça em um voto único e vital. Mas eles o fizeram. E, se não sentirem culpa, vergonha e remorso, se não tiverem um desejo ardente de fazer as pazes, seus conselhos, acionistas, investidores, funcionários e familiares precisam tirá-los de lá", escreveu.

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