Por AFP

Paris - Dezenas de milhares de manifestantes participaram, nesta quarta-feira (1), em Paris, da tradicional passeata do Dia do Trabalhador, marcada por confrontos, gás lacrimogêneo e detenções. Sindicatos e "coletes amarelos", que protestaram há mais de cinco meses contra a política do governo, convocaram para participar da marcha na capital e em cerca de 200 cidades da França.

Embora em Paris o dia tenha sido marcado por alguns incidentes, no resto do país a maioria das reuniões para comemorar este 1º de maio ocorreu em um clima de tranquilidade.

Ao todo, 310.000 pessoas (segundo os sindicatos) ou 164.500 (de acordo com a polícia) se mobilizaram em todo o país. Em Paris, foram cerca de 40.000, segundo contagem independente realizada por um coletivo de meios de comunicação.

O clima esquentou em Paris quando a polícia recorreu ao gás lacrimogêneo para dispersar centenas de "black blocs" - militantes anticapitalistas e antifascistas vestidos de preto e com o rosto coberto.

Um manifestante foi ferido na cabeça, segundo um jornalista da AFP. As forças de orde, receberam tiros com vários tipos de projéteis. Uma jornalista da agência pública russa Ria Novosti declarou ter apanhado da polícia francesa no rosto e no braço quando cobria as manifestações.

Os enfrentamentos começaram às 11h00 GMT (8H00 de Brasília) perto do restaurante La Rotonde, que foi protegido com tapumes.

Mais de 7.400 policiais e gendarmes foram mobilizados na capital francesa para as manifestações, onde acredita-se que haverá entre "1.000 e 2.000 militantes radicais", segundo o ministro do Interior, Christophe Castaner.

Desde a madrugada, vários policiais começaram a revistar pessoas aleatoriamente nas proximidades da estação de Saint-Lazare, no centro de Paris.

O presidente Emmanuel Macron exigiu na terça-feira que a resposta aos "black blocs" seja "extremamente firme" em caso de violência, após as chamadas nas redes sociais para transformar Paris na "capital dos distúrbios".

No ano passado, 1.200 militantes radicais mancharam a manifestação em Paris com atos violentos: lojas foram vandalizadas ou incendiadas e veículos queimados. A polícia realizou quase 330 detenções em Paris e efetuou 15.300 registros preventivos.

Os bairros da Concordia e Champs-Elysees, onde se encontra o palácio presidencial e o Parlamento, foram completamente bloqueados pelas forças de segurança.

Ao cair da tarde, os incidentes continuavam em diversos pontos de Paris, mas distantes do centro. Alguns veículos foram queimados e a polícia continuava lançando gás lacrimogêneo para dispersar as concentrações, após o fim das passeatas oficiais, lideradas pelos líderes sindicais.

Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, uma das maiores centrais sindicais francesas, teve que deixar os protestos ao ser atacado por elementos radicais, constatou um jornalista da AFP.

A atenção se voltou nesta quarta para a capital, muitas vezes palco de incidentes desde o início dos protestos dos "coletes amarelos". Esse movimento, que desde meados de novembro tem saído às ruas todos os sábados para protestar contra a política fiscal e social do governo, também esteve presente nesta quarta-feira.

Ao longo dos meses, o movimento perdeu força à medida que se radicalizou, com violentos distúrbios à margem das manifestações. Entre os "black blocs" e os "coletes amarelos", os sindicatos esperam recuperar a visibilidade através de vários comícios e uma grande manifestação saindo de Montparnasse até a Place d'Italie, no sul da capital.

"O primeiro de maio tem que agrupar todos aqueles que vêm se manifestando há meses e meses (...) para dizer que a política social tem que ser mudada", disse Philippe Martinez.

Este 1º de maio deveria ser uma oportunidade para que os sindicatos, em um contexto político confuso. "Defendemos nossas reivindicações há seis meses. Onde estavam os sindicatos durante todo esse tempo?", reclamou uma jovem vestida de colete amarelo em Montpellier (sul).

Em Marselha (sudeste), o líder da esquerda radical francesa, Jean-Luc Mélenchon, estimou que a situação na França "é algo sem precedentes".

Já a líder da extrema direita, Marine Le Pen, criticou duramente a União Europeia, que ela chamou de "imperial, hegemônica e totalitária", durante uma manifestação em Metz (norte).

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