(Primeira fila, a partir da esquerda) Os líderes separatistas catalães Joaquim Forn, Raul Romeva e Oriol Junqueras durante seu julgamento na Suprema Corte espanhola, em fevereiro - AFP
(Primeira fila, a partir da esquerda) Os líderes separatistas catalães Joaquim Forn, Raul Romeva e Oriol Junqueras durante seu julgamento na Suprema Corte espanhola, em fevereiroAFP
Por AFP
Espanha - O governo espanhol anunciou, nesta sexta-feira (31), que apresentou uma reclamação à ONU e pediu a revisão do relatório de um grupo de especialistas designado por este organismo considerando "arbitrária" a detenção dos líderes separatistas catalães.

A porta-voz do governo, Isabel Celaá, condenou que o informe contém "erros e distorções" e que dois dos autores apresentam "conflito de interesses", já que eles trabalharam com o advogado dos separatistas neste caso.

Feito por especialistas independentes designados pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU em Genebra, mas que não falam em nome do organismo, o polêmico informe foi publicado nesta quarta-feira e pedia a libertação de três separatistas presos.

Trata-se do ex-vice-presidente regional Oriol Junqueras e os ativistas Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, todos eles julgados no Supremo Tribunal pela tentativa de secessão da Catalunha em 2017 e presos por mais de um ano e meio.

O governo regional da Catalunha, ainda nas mãos dos separatistas, aproveitou o informe para reivindicar nesta sexta-feira em Madri que "adote as medidas necessárias para a imediata libertação".

Já o embaixador espanhol em Genebra apresentou duas "notas verbais" às Nações Unidas por esta opinião. Na primeira, "solicita a revisão da opinião deste grupo pelos erros e distorções que contém" e, na segunda, "alega que houve conflito de interesses", explicou Celaá.

Segundo ela, dois dos autores do informe, um mexicano e um sul-coreano, haviam trabalhado previamente como relatores junto com Ben Emmerson, um advogado britânico que levou o caso às Nações Unidas em nome dos separatistas.

Isso "teria exigido sua abstenção no tratamento deste caso", disse Celaá. Além disso, garantiu que os autores "parecem desconhecer o crime, pelo qual os detidos estão indiciados".

Junto com outros nove processados, os três estão sendo julgados pela organização de um referendo de autodeterminação em 1º de outubro proibido pela Justiça. Já o informe garante que a votação foi legal.

A porta-voz também acusou os especialistas de ignorarem a "separação de Poderes", ressaltando que o governo não pode se envolver nos procedimentos judiciais, nem reclamar sua libertação.