Novas manifestações são convocadas em Hong Kong contra lei de extradições para China

Um milhão de pessoas saíram às ruas da ilha, segundo os organizadores, para protestar contra proposta de que suspeitos sejam julgados na China continental

Por AFP

Manifestantes fazem bloqueios com barricadas durante confrontos com a polícia depois de uma manifestação contra uma polêmica proposta de lei de extradição em Hong Kong
Manifestantes fazem bloqueios com barricadas durante confrontos com a polícia depois de uma manifestação contra uma polêmica proposta de lei de extradição em Hong Kong -
Hong Kong - Novas manifestações foram convocadas para quarta-feira em Hong Kong em protesto contra um polêmico projeto de lei que permitirá extradições para a China, depois que o governo da região, favorável a Pequim, se recusou a retirar o texto.

Um dia após uma gigantesca manifestação na ex-colônia britânica para protestar contra o projeto de lei, a oposição convocou uma nova mobilização.

"Em 12 de junho, esperamos que a Frente Civil dos Direitos Humanos inicie a manifestação às 10h locais (23h de Brasília, terça-feira)", afirmou nesta segunda-feira Jimmy Sham, um dos organizadores do movimento.

Galeria de Fotos

Itens coletados pela polícia após confrontos com manifestantes foram exibidos durante uma coletiva de imprensa na sede da polícia em Hong Kong em 10 de junho de 2019 Anthony Wallace/ AFP
Manifestantes fazem bloqueios com barricadas durante confrontos com a polícia depois de uma manifestação contra uma polêmica proposta de lei de extradição em Hong Kong Philip Fong/ AFP
A polícia durante protesto contra proposta de lei de extradição em Hong Kong no início de 10 de junho de 2019 Philip Fong/ AFP
Um policial usa cassetete para reprimir um manifestante após o confronto do lado de fora do Conselho Legislativo em Hong Kong Philip Fong/ AFP


Sham fez o anúncio depois que o governo de Hong Kong se recusou a desistir do polêmico projeto de lei.

"É uma lei muito importante que permitirá o triunfo da justiça e garantirá que Hong Kong cumpra com suas obrigações internacionais em termos de criminalidade transfronteiriça e transnacional", declarou a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam.

Muito combativa diante da imprensa, Carrie Lam reafirmou que o Conselho Legislativo (LegCo), o "parlamento" local, examinará na quarta-feira o projeto de lei, conforme já era previsto.

Ao mesmo tempo, o governo chinês destacou que "continuará apoiando de modo veemente" o projeto de lei apresentado pelas autoridades de Hong Kong.

"Nos opomos fortemente a qualquer força estrangeira que intervenha nos assuntos legislativos de Hong Kong", disse Geng Shuang, porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China.

Shunag fez referência a reuniões da oposição de Hong Kong com o secretário de Estado americano Mike Pompeo e com a presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi.

A imprensa oficial chinesa atribuiu a responsabilidade das enormes manifestações organizadas no fim de semana em Hong Kong a interferências estrangeiras e acusou os opositores políticos na ex-colônia britânica de "conivência com o Ocidente".

Grande manifestação
No domingo, mais de um milhão de pessoas saíram às ruas da principal ilha do centro financeiro, segundo os organizadores, enquanto a polícia falou em 240 mil pessoas.

Foi o maior protesto no território desde 1989, quando 1,5 milhão de pessoas expressaram apoio aos manifestantes da Praça Tiananmen (Paz Celestial). Na época, Hong Kong ainda estava sob o governo colonial britânico.

As imagens aéreas que mostravam as ruas estreitas de Hong Kong lotadas rodaram o mundo. Mas na China continental, o principal telejornal não mencionou o evento e as buscas na rede social Weibo foram censuradas.

Os críticos do texto consideram que o projeto das autoridades de Hong Kong pró-Pequim deixará a população à mercê de um sistema judicial chinês opaco e politizado.

O Executivo de Hong Kong, no entanto, afirma que a lei vai preencher um vazio jurídico.

Lam negou ignorar os manifestantes e afirmou que sua administração já fez importantes concessões para garantir o respeito às liberdades únicas existentes em Hong Kong e que a lei estará dentro dos parâmetros internacionais dos direitos humanos.

"Minha equipe e eu não ignoramos as opiniões expressadas sobre esta importante peça de legislação. Escutamos muito atentamente", afirmou a chefe do Executivo de Hong Kong.

Um país, dois sistemas
Segundo os termos do acordo sino-britânico sobre a devolução de Hong Kong a China, a cidade goza de mais liberdades que o restante do Estado asiático em virtude do princípio "Um país, dois sistemas", em tese até 2047.

A desconfiança a respeito da China aumentou com o desaparecimento de uma série de personalidades críticas a Pequim, incluindo um grupo de editores dissidentes e um bilionário, que reapareceram detidos no continente
Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia

Comentários