São Paulo tem 90 novas áreas de Mata Atlântica desmatada nos últimos cinco anos

Relatório diz que as duas administrações municipais que se seguiram não priorizaram a preservação das águas e das matas

Por REVISTA PLANETA

Relatório mostra crescimento no desmatamento em São Paulo
Relatório mostra crescimento no desmatamento em São Paulo -

São Paulo - A cidade de São Paulo tem 90 novas áreas de Mata Atlântica desmatada nos últimos cinco anos. Destas áreas, 46 tiveram suas medidas somadas em 2.952.950 metros quadrados.

Se for estimado uma árvore para cada 6 m², essas 46 áreas estudadas já abrigaram 492.271 árvores, quase meio milhão.

Esses dados são de um dossiê divulgado pelo gabinete do vereador Gilberto Natalini (PV). Segundo o relatório, grande parte desses focos de desmatamento foram realizados para a implementação de loteamentos clandestinos.

Outro motivo para a degradação é a exploração do descarte de entulho e de restos de material de construção, em locais conhecidos como áreas de bota-fora. Segundo o dossiê, nesses casos são duas práticas criminosas simultâneas: a eliminação da cobertura vegetal e a contaminação do solo.

Uma das áreas mais afetadas é Parelheiros, na extrema Zona Sul da cidade. Segundo o dossiê, a cobertura vegetal é especialmente importante naquela região para preservar a área de manancial que abastece as Represas da Guarapiranga e Billings, cruciais
para o fornecimento de água à população da Região Metropolitana de São Paulo. A mata também ajuda a manter as temperaturas mais baixas e a reduzir os níveis de poluição.

O dossiê ainda destaca que a prefeitura de São Paulo e o governo do estado realizaram, entre 2005 e 2012, os programas “Defesa das Águas” e “Córrego Limpo”, aos quais diversos órgãos públicos se juntaram.

Como resultado dos programas, houve um congelamento de invasões em áreas de
manancial. Além disso, foram executadas obras de reurbanização em terrenos de risco e foi posta em prática a transferência de moradores de habitações precárias para locais seguros.

O relatório diz que as duas administrações municipais que se seguiram não priorizaram a preservação das águas e das matas.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que, em 2019, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) realizou mais de 6 mil rondas, mais de 600 desocupações e mais de 50 ações para coibir o descarte irregular de resíduos nas áreas ambientais ameaçadas.

O governo de São Paulo afirmou que, em 2019, realizou 588 fiscalizações que resultaram em 90 autos de infração ambiental nas Áreas de Proteção e Recuperação de Mananciais nas zonas Sul e Norte da cidade.

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