Donald Trump - AFP
Donald TrumpAFP
Por AFP
Washington - Autoridades da Casa Branca tentaram restringir o acesso à transcrição da ligação por telefone entre Donald Trump e o presidente ucraniano, na qual o americano solicitou a ajuda da Ucrânia para prejudicar um rival nas eleições presidenciais de 2020, segundo um documento com a denúncia da conversa apresentado nesta quinta-feira (26).
A Câmara de Representantes, de maioria democrata, abriu um processo de impeachment contra o presidente por abuso de poder.
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"Recebi informações de vários funcionários do governo americano de que o presidente dos Estados Unidos está usando o poder de seu cargo para solicitar a interferência de um país estrangeiro na eleição americana de 2020", escreveu o denunciante, membro do serviço de inteligência e que não teve a identidade revelada, em seu relatório publicado pelo Congresso.

O denunciante afirmou ainda que funcionários da Casa Branca ficaram preocupados em relação à gravidade da conversa entre Trump e o presidente ucraniano Volodimir Zelenski, acrescentando que lhe disseram que provavelmente haviam "testemunhado como o presidente abusava de seu cargo para obter benefícios pessoais".

"Nos dias seguintes à ligação, soube através de vários funcionários americanos que autoridades da Casa Branca agiram para 'bloquear' todos os arquivos vinculados" à ligação, disse o denunciante, de acordo com o documento.

"Esse conjunto de ações enfatizou que as autoridades da Casa Branca entenderam a seriedade do que aconteceu na chamada", acrescentou o queixoso, que a descreveu como um assunto de "preocupação urgente".

"Os funcionários da Casa Branca me disseram que foram 'orientados' pelos advogados da Casa Branca a eliminar a transcrição eletrônica do sistema de computador, já que essas transcrições são normalmente armazenadas para coordenação, conclusão e distribuição feitas por funcionários que trabalham diretamente com gabinete" presidencial, relatou o agente.

Na transcrição do telefonema revelada pela Casa Branca na quarta-feira, Trump pede repetidamente ao líder ucraniano para ajudá-lo com uma investigação sobre o pré-candidato democrata à presidência em 2020 Joe Biden e seu filho Hunter Biden.