Mayra Wanderley - Reprodução
Mayra WanderleyReprodução
Por VIVIANE FAVER
A vida dos moradores de Nova York, nos Estados Unidos, vai mudar drasticamente por conta do coronavírus. O governador do Estado de Nova York, Andrew M. Cuomo, proibiu a maioria das reuniões com mais de 500 pessoas e ordenou que espaços menores, como restaurantes e bares, reduzissem a ocupação pela metade.

As restrições entraram em vigor imediatamente nos cinemas da Broadway, na quinta-feira, mas se espalharão para um conjunto mais amplo de espetáculos, marcando um golpe no setor de hospitalidade tipicamente movimentado da cidade de Nova York, à medida que se aproxima do fim de semana.

Brasileiros residentes dos Estados Unidos já estão enfrentando as restrições no trabalho e com seus filhos. A carioca Mariana Lima mora em Nova York há 6 anos e conta que há cerca de 10 dias já havia começado a estocar comida, embora ainda não muito convencida da necessidade.

“Na segunda-feira de manhã, dia 9, a agência onde eu trabalho mandou um comunicado dizendo que trabalhar de casa era uma opção a ser considerada por todos do escritório aqui de NY. Na própria segunda à tarde, o governador de NY, Cuomo, declarou estado de emergência e então o comunicado da minha agência passou a ser uma recomendação", contou Mariana. 

Na terça-feira à noite, Mariana foi para onde um amigo tem casa, fora do Centro. Pensou que seria a melhor forma de manter-se com o mínimo de contato social e também não haveria a necessidade de usar transporte público.

"Meu sentimento é de preocupação com os meus pais e meus avós. Entendo que não faço parte de um grupo de risco e que, caso seja infectada, em alguns dias estarei curada. No entanto, meus pais têm mais de 60 anos e são bastante ativos", afirma Mariana. E acrescenta: "Me preocupa o Brasil não ter estrutura e menos ainda, real dimensão do que está acontecendo. Ver o presidente tratar a pandemia como algo supervalorizado só mostra o nosso amadorismo".

A também carioca Rafaela Rangel, que mora em NY há 11 anos, teve que tirar o filho da escola, o marido está trabalhando de casa e já fizeram estoque de comida. "A única maneira, de verdade, de evitar a doença e cortar o contato com outras pessoas. Por isso não estamos saindo de casa nem recebendo visitas. Quanto mais rápido o vírus estiver sob controle, mais rápido nossas vidas voltam ao normal. Então, estamos fazendo tudo para ajudar”, avalia.

Mayra Wanderley, de 37 anos, saiu de Recife para os EUA há 15 anos. Ela conta que começou a se preocupar desde fevereiro, quando as notícias ficaram mais frequentes logo após as férias de inverno de suas filhas. “Meu bairro tem muitos chineses e coreanos, e como o início de tudo foi na China, não tinha como não me preocupar. Principalmente pelo fato de o vírus ser novo e por minhas filhas frequentarem escolas dentro do bairro, que tem orientais”, diz.
Ela conta que, após as férias de inverno, ficou pensando que algumas das crianças que estudam com suas filhas poderiam ter passado esse tempo que as escolas ficaram fechadas no seu país (país da família). Após as férias, as notícias foram aumentando e o vírus se espalhando mais.

“Sou estudante de Saúde Pública no Queesborough Community College (Cuny) e a minha escola fechou sem aviso prévio. Ontem soube pela página oficial da Cuny no Facebook que as aulas estariam suspensas até o dia 18 e que o resto do período de primavera seria online, iniciando dia 19", conta. “Tenho duas filhas em escolas diferentes e estou só aguardando que fechem as escolas por pelo menos uma semana. Acho que é só alguém da escola aparecer com teste positivo que eles fecham", acredita.