Mulher de 113 anos que sobreviveu ao coronavírus cobra mais atenção aos idosos

Maria Branyas sobreviveu à gripe espanhola de 1918, duas guerras mundiais, guerra civil da Espanha e, agora, ao coronavírus

Por IG - Último Segundo

Maria Branyas, que sobreviveu à pandemia de gripe de 1918 e duas guerras mundiais, pede uma revolução no tratamento de idosos
Maria Branyas, que sobreviveu à pandemia de gripe de 1918 e duas guerras mundiais, pede uma revolução no tratamento de idosos -
São Paulo - Semanas depois de comemorar em seu aniversário de 113 anos, Maria Branyas se viu confinada em um quarto numa casa de repouso no nordeste da Espanha, sofrendo com os efeitos do coronavírus. Agora - totalmente recuperada e considerada a mais antiga sobrevivente da Covid-19 do mundo - está pedindo nada menos que uma mudança radical no cuidado com as pessoas idosas.

"Isso terá que ser feito novamente e de forma diferente", disse Branyas, descrevendo essa transformação como uma dívida devida àqueles que morreram na pandemia. "Dada a minha idade, provavelmente não vou estar lá [para ver a mudança]. Mas, acredite, é necessário um novo pedido", afirmou.

A notícia de que Branyas, a pessoa mais velha da Espanha, sobrevivera ao vírus, foi manchete no mundo todo na semana passada, promovendo um momento de alegria em um dos países mais atingidos pelo vírus. Em toda a Espanha, ele já ceifou mais de 27.500 vidas.

A Covid-19 deixou Branyas - que sobreviveu à gripe espanhola de 1918, duas guerras mundiais e a guerra civil da Espanha - doente por apenas alguns dias. Mas ela se afastou da marca mais profunda deixada pela pandemia, ao revelar uma sociedade que, segundo ela, havia empurrado seus idosos para as margens.

"Essa pandemia revelou que os idosos são os esquecidos da nossa sociedade", disse ela, em entrevista ao site Observer. "Eles lutaram a vida inteira, sacrificaram o tempo e os sonhos pela qualidade de vida de hoje. Eles não mereciam deixar o mundo dessa maneira. "

Superações em cima superações

Nascida em 1907 nos Estados Unidos, onde seu pai espanhol trabalhava como jornalista, Branyas se mudou para a Espanha em 1915. Quando a gripe de 1918 varreu o mundo, ela vivia nos arredores de uma pequena vila na Catalunha, aparentemente não afetada por a pandemia. Mas não gosta de falar muito no assunto.

Branyas ficou mais feliz ao descrever as mudanças que esperava que seus 13 bisnetos vissem em suas vidas. "Uma mudança de valores, que prioriza educação, saúde e pesquisa", declarou ela. "E menos armas e muito menos gastos com tantos políticos."

Ela riu de uma pergunta sobre o que virá depois de combater o coronavírus. "Bem, eu vou viver", disse ela. "Até quando Deus quiser."

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