Casa Branca critica oposição por falta de acordo sobre novo pacote de ajuda

Presidente Donald Trump afirma já ter feito quatro propostas de novo pacote de ajuda, todos negadas pela oposicão

Por ESTADÃO CONTEÚDO

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A entrevista coletiva da Casa Branca desta sexta-feira foi marcada por críticas do governo do presidente Donald Trump à oposição democrata, culpando-a pelo fracasso até agora nas negociações por um novo pacote de ajuda econômica. "O que temos visto é a política normal dos democratas na Câmara", criticou o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows.

Segundo ele, os democratas acreditam que têm "todas as cartas na mão" e desejam usá-las "às custas daqueles que estão sofrendo". Ele comentou que a situação republicana já elaborou quatro propostas para o novo pacote de ajuda, todas rejeitadas pela oposição, afirmando ainda que eles não apresentaram contrapropostas, mas que o diálogo com o Legislativo continua.

Meadows deu a declaração no início da coletiva, mas não ficou para responder perguntas dos jornalistas, passando a tarefa para a porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany. Segundo ela, as duas prioridades do presidente agora são o auxílio-desemprego e evitar despejos, no contexto da pandemia da covid-19. McEnany disse que o Partido Democrata deveria apoiar a extensão por uma semana do auxílio-desemprego emergencial atual, a fim de permitir mais alguns dias de negociações do novo pacote. "Os democratas não têm sido sérios", considerou.

A Casa Branca diz que os democratas mudaram propostas anteriores, elevando valores para níveis que o governo Trump considera excessivos. "Democratas ofereceram pacote de US$ 3 trilhões, temos proposta mais específica", disse a porta-voz. Nesta semana, integrantes do governo falavam em um novo pacote de cerca de US$ 1 trilhão.

McEnany voltou a defender a estratégia do governo americano contra a covid-19, destacando avanços na busca por terapias contra a doença e também o fato de que os EUA são o país com mais testes em número absoluto, quase 60 milhões. Sobre o uso de máscaras, comentou que é um "ato patriótico, especialmente se não for possível fazer a distância social".

A porta-voz ainda foi questionada sobre declaração da quinta-feira de Trump pelo Twitter que levantava a possibilidade de adiamento de eleição presidencial. Ela garantiu que Trump deseja disputar a eleição na data prevista, 3 de novembro, e que cabe a cada Estado a organização da disputa. Para Trump, o voto pelo correio, uma opção diante da pandemia, abriria margem para fraudes.

Durante a coletiva, houve ainda uma questão sobre o fato de que o governo local de Hong Kong adiou uma eleição legislativa por um ano, citando riscos de mais casos da covid-19. A porta-voz disse que a decisão "mina os processos e liberdades democráticas". Os EUA têm criticado a China por impor uma nova lei de segurança que, segundo Washington, acaba com o modelo de "Um país, dois sistemas" entre a China e Hong Kong e viola acordos internacionais. Hong Kong tem sido um dos motivos para as tensões bilaterais recentes entre as duas potências.

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